Sunday, November 27, 2005

Contra o Amor, de Laura Kipnis

Contra o Amor, de Laura Kipnis

Laura Kipnis escreve a polêmica sobre o amor se perguntando porque as relações amorosas continuam sendo tão idealizadas quando a infidelidade e brigas são cada vez mais comuns.

Ela situa a discussão dentro da instituição do casamento, iniciando com uma típica situação de adultério. Para ela o casamento é um sonho que se torna uma coleira com o passar dos anos (ou meses) e o adultério, como uma forma de rebeldia, dá a sensação de liberdade que logo terá as mesmas conseqüências que o casamento decadente que o ?rebelde? fugia.

Ao invés de falar sobre um tema mais amplo e metafísico como titulo sugere, o livro critica o casamento e a hipocrisia dessa instituição. Ela se baseia em estudos sociológicos e psicológicos para basear seus argumentos.

A partir do momento que o amor é apresentado como a resposta para todos os problemas pessoais, ele está fadado ao fracasso. As novelas, filmes e livros mostram o casamento como uma relação duradoura, monogâmica e cheia de flores, quando na vida real, se ele sobrevive, é com ajuda de terapia, Prozac e calmantes.

A questão é mais profunda do que transgressão dos valores do casamento, ela não toma partidos apesar de apontar muito mais falhas no ato de se casar do que no de ficar solteiro. De certa forma o adultério sustenta o casamento enquanto permanece um segredo e reata os laços quando prova não ser o esperado.

A monogamia não resiste aos dias de hoje, a cultura descartável e o circulo do desejo. A partir do momento em que todos querem um final feliz e esse final feliz consiste em sempre ter mais, o velho final dos contos de fadas não serve mais. Para ir além do ?felizes para sempre? é necessário adquirir sempre mais, ter mais um carro, ter mais um parceiro.

Ela também questiona a imoralidade de querer mais. Buscar um novo parceiro quando o outro não o satisfaz mais inclui muito mais uma discussão política do que sexual; os parceiros ficam presos em reprimir suas necessidades individuais por um bem conjunto.

Kipnis não chega a uma conclusão definitiva, se é ou não possível ir contra o amor ela não sabe dizer, mas dá a dica de que enquanto o amor for vendido como um ideal moderno que sobreviveu enquanto outros (raça, religião, sexualidade) entraram em decadência as pessoas continuarão se casando, se divorciando e se casando novamente. O amor é cruel e continua irresistível.

3 comments:

Maki said...

Finalmente mudou para o Blogger! Precisei ficar quanto tempo buzinando na sua orelha? "Só" um ano, talvez? :P

E espero que aprecie toda a ajuda que prestei para deixar tudo isso aqui funcionando direitinho. :D

Sobre o que você postou, não acredito que seja possível qualquer pessoa fazer um juízo definitivo sobre o assunto. Mas eis uma matéria muito interessante do New York Magazine: The New Monogamy (em Inglês, claro).

Bjo, minina!

Ednilson said...

Oi irmãzinha de endereço novo! Saudações do otouto, no seu novo endereço!!!! ^_^

E, adivinha? Enquanto defensor ferrenho do amor à primeira vista, do 'felizes para sempre' e de tempos melhores, vou começar minhas visitas à sua nova casa de nome antigo discordando ferrenhamente de vc e da dona Kipnis.

Não me interprete mal. Sim, eu concordo com a teoria, enquanto aplicada à sociedade moderna e à moda moderna de se encarar 'amor'. Usa-se a palavra e o conceito com leviandade, até me lembro de uma música em q o cara falava algo sobre falar em amor só pra levar a menina pra a cama e,... bom, vc pode imaginar o desfecho.

'Amor' de verdade does exist, criança. E, sim, pode ser terrivelmente cruel. mas, até aí, eu não conheço NADA no mundo q não seja. Nem mesmo a gentileza escapa.

Beijão do otouto, um eterno apaixonado das coisas boas da vida (como a trilha sonora de encerramento do Kill Bill 2, q eu tava vendo agora com minha irmãzinha ^^), e esperando seu e-mail (onde espero q me explique q história é essa de não achar a própria cama)

Ceres said...

Que ótimo comentário, Louco. :)

Ah, não lembro quem disse "O amor é horrível".
Mas acho que é mais ou menos pelo racíocinio do Louco.

E não tenho muita vontade de pensar sobre isso, há coisas mais importantes a se pensar do que "o amor realmente existe?"
Álias, há tantas coisas tão mais importantes e mais urgentes pra se pensar que eu não gosto de ficar pensando nesse questionamento sem graça. ;p

Titia de mau humor
Beijos, sobrinha.