Thursday, January 05, 2006

Got to Go Ahead and Deal With My Life

Got to Go Ahead and Deal With My Life

Estou apavorada. Não sei o que fazer. Estou com medo de acordar e ter que enfrentar a realidade.

Enquanto o Ano Novo para muitos é um recomeço, uma promessa de um ano melhor do que o que passou, o Ano Novo para mim só me desespera. Mais um ano passou, joguei mais um ano fora, não fiz nada! Absolutamente nada! Fui para a faculdade e voltei para a casa todos os dias. Todo dia a mesma rotina. Não há nenhum sentido no que estou fazendo! Pra que acordar de manhã se vou dormir de novo à noite? Nem dá vontade de acordar mais; não se for pra ficar nessa mesmice.

O que vai acontecer em 2006 me mata de medo. Chegou o ano do TCC; já estou absurdamente estressada com a falta de colaboração da turma desde que entrei na faculdade, estou cansada das panelas e de julgarem meu trabalho pela roda de amigos (não sou de ficar indo a festinhas e barzinhos, mas não aceito que me julguem pelo meu lado social). Não vou poder fazer o filme que queria para o TCC porque ninguém gosta de animação na classe e não tenho condições de fazer um filme sozinha. Pelo que estou percebendo vou sobrar e pegar uma função que não me agrada como tem sido quase sempre (exceto semestre passado que finalmente fiz Direção de Arte).

Mas além da decepção com essa coisa de TCC, o que vem depois me apavora a ponto de ficar com os nervos a flor da pele. O que vai acontecer quando terminar a faculdade? Eu estou tentando um intercâmbio, mas... E se não der certo? Esse eu tiver que ficar no Brasil? E se eu acabar uma cineasta que não conseguiu o que queria? E se no fim das coisas essa coisa de cinema não passar de um sonho impossível? E se eu tiver que trabalhar com outra coisa nada a ver com cinema? Imagine só o dinheiro que fiz meu pai gastar com essa faculdade simplesmente jogado privada a baixo!

Eu não sei o que está havendo, antes era otimista quanto a minha carreira, mas à medida que ela se aproxima eu fico nervosa, perco o sono, a fome e fico muito deprimida, chorando pelos cantos e não querendo conversar com ninguém. Tudo acaba ficando tão superficial, a vida acaba ficando superficial. Já prometi a mim mesma várias vezes que se chegar aos 30 anos sem nenhum progresso eu perco o medo da dor e corto os pulsos. Tenho muito medo de fracassar, estou cada vez mais nervosa por causa disso.

Se não conseguir trabalhar com animação (o mínimo que eu queria era conseguir trabalhar em um seriado) e não conseguir entrar no mercado dos longas-metragens, eu me satisfaria em fazer documentários no estilo Discovery Channel, mas isso é o mínimo dos mínimos.

Estou empacada em um momento que não sei o que fazer. Vai demorar muito para conseguir tomar uma decisão, mas eu sei que terei que ir em frente e dar um jeito nessa vida esdrúxula. Adoraria que alguma coisa acontecesse. Alguma coisa tem que acontecer um dia, não é possível que viverei em uma monotonia eterna. Preciso ajudar as coisas acontecerem, claro, saia de casa! Me dizem, vá dar uma volta num parque, saia com seus amigos. Gostaria que fosse fácil assim, eu estou acostumada a ficar sozinha, não consigo sair por aí, os rostos das pessoas são estranhos!

Não sei a dificuldade que algumas pessoas tem em entender que eu sou do tipo solitária, que SEMPRE fui assim. Desde a sexta série eu só tive quatro amigas! Sempre as mesmas até o terceiro colegial. Nunca saíamos. O programa era estudar, ir ao cinema uma vez por mês e voltar para a casa antes das 18hs! Sabe o que é isso até seus 17 anos? Só eu sei o medo que tenho de me aproximar das pessoas, de confiar em alguém! Dessas quatro amigas só uma ainda fala comigo, só uma ainda liga uma vez a cada seis meses!

Quando entrei na faculdade não conhecia ninguém e aparentemente eram todos muito legais; eles falavam tudo o que eu pensava e tinham opiniões interessantes para tudo quanto é assunto. Acho que nunca falei o que queria falar de verdade pra nenhum deles, nem para o meu atual grupinho de amigas; estou sempre ocupada tentando não me humilhar e ficando quieta para ouvir os outros; estou sempre falando o que os outros querem ouvir para não acabar ficando sem um grupo de trabalho. Já me falaram que não me conhecem, já reclamaram que nunca sabem quando estou alegre ou triste porque estou sempre mascarando o que realmente sinto, quem sou e seja lá mais o que. Não é a toa que não me aproximo de ninguém e não é a toa que ninguém se aproxima. Acho que fico ocultando tanta coisa que as pessoas tem medo de mim. Bom, mas que seja, eu sou assim e não acho que vou conseguir mudar tão cedo.

Acho que no final das contas não sou uma pessoa interessante, que alguém sinta vontade de realmente conhecer. Tanto no profissional quanto no social estou vendo apenas um fracasso. Eu sei que tenho que dar um jeito nessa vida, mas no momento estou vivendo uma fase de procrastination.


E para encerrar uma musica do Roxette:

It Will Take A Long, Long Time

Sunny called,
I was in the hall
And made a note
I have to paint the kitchen walls
An angel smiled across the room
All in all, it was a lazy afternoon

Then I thought about you
I think it was some sweet song that I heard

Got to get goin' goin' ahead
It will take a long, long time
Got to go ahead and deal with my life
It has taken such a long time this time

Sunny called, I was in the bath
And heard the rain hit the roof and tiles real hard
(hit the roof real hard/hit the roof)
Then I ran through my magazines
A few letters poorly hidden in a jar
(hidden in a jar/oh what a jar!)

And I thought about you
It must have been some old pictures I found

Got to get goin' goin' ahead
It will take a long, long time, yea yea
Got to go ahead and deal with my life
It has taken such a long time this time

Inganakee leo yo
Inganakee leo

Got to get goin' goin' ahead
It will take a long, long time, yea yea
Got to go ahead and deal with my life
It has taken such a long time this time

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