Sunday, November 28, 2010

Jane Austen

Jane Austen

Uma Visão Privilegiada

Jane Austen é uma autora que me intriga bastante. Não posso comparar sua complexidade a de Dostoiévsky ou Kafka, pois ela tem um estilo único e apaixonante para aqueles que gostam de romances Inglês do final do século XIX, e que, claro, se surpreendem ao ver que Jane Austen supera seu tempo (assim como todo grande autor).

Austen teve uma vida breve e precoce. Apaixonada por literatura, por volta dos 15 anos de idade começou a escrever para entreter seu círculo familiar. Aos 17 começou a escrever a sua obra que mais aprecio Razão e Sensibilidade. Logo depois, aos 21, inicía a sua obra mais conhecida e admirada, Orgulho e Preconceito.

Diferente do que sua era ditava, ela não gostava muito de bailes e se mantinha longe do circulo social, preferindo ficar em sua casa escrevendo. Teve um breve romance com Thomas Lefroy, mas rompeu com ele antes de chegar a se casar.

Ela fica ao lado da familia o resto de sua vida, o pai morre e ela fica com a mãe e a irmã a mercê dos irmãos. Aos 41 anos, com 6 romances completos, ela tem complicações pulmonares e morre aos 41 anos, solteira.

Diferente de sua vida, todas as personagens que ela criou, encontram seu 'verdadeiro amor', não importa o quando sofram e padeçam durante o livro. Suas heroínas estão sempre situadas em um clima tradicional do campo inglês, rigido em seus costumes e, implitamente, decadente. Seu sarcasmo, mostra que em muitos aspectos ela é tradicional e moralista, apesar de suas críticas.

Em Razão e Sensibilidade, o primeiro livro que li dela, o eterno confronto entre cérebro e coração estão humanizados na figura das duas irmãs, Elinor e Marianne. Em um hexágono amoroso e depois de muita tortura para quem prefere o lado intelectual (o de Elinor) já que os sofrimentos exagerados de Marianne consomem longas páginas do livro, uma surpresa final revela que tudo termina bem. Marianne e sua fervorosa paixão por um jovem mulherengo, é sempre descrita com muito sarcasmo, deixando claro que a própria Jane, escolhe a razão à sensibilidade.

Orgulho e Preconceito, é uma comédia de maneiras e moralismos. Elizabeth Bennet é, com certeza, a heroína mais marcante de Austen, sempre guiada pelos bons costumes e com um atrevimento que deixa a trama deliciosa. Os homens dançam na mão dela, seu poder manipulativo é encantador. Todas as irmãs Bennet só tem a possibilidade de 'crescerem' na vida se se casarem (como todas as moças naquela época). Elizabeth, Lizzy, a mais velha, e encontra um jovem bonito que segundo seus preconceitos, parece um bom partido... até ele abrir a boca. Ele é absurdamente orgulhoso e eles imediatamente começam a se tratar como cães e gatos de classe. Seu preconceito é muito grande, e o orgulho dele então, nem se fala. Mas eles tem aquela atração (que hoje virou um clichê) um pelo outro, e passam por todo um processo de auto-conhecimento até que superam seus defeitos e conseguem viver felizes para sempre.

Em seguida, li Mansfield Park, a história de Fanny Price, menina pobre que aos 10 anos de idade vai morar com os tios ricos. Como uma 'Cinderella', ela tem muitos 'inimigos' nessa nova casa. Suas primas (poucos anos mais velhas que ela), a tratam como se fosse inferior e não brincam com ela, o único que lhe dá atenção é o primo 6 anos mais velho que ela, Edmund, que por sua vez tem um irmãos um ano mais velho que mal a reconhece como membro da família. Edmund vira seu melhor amigo e confidente. Quando sua tia (não a que pegou para criar, mas uma outra que mora perto), Mra. Norris, fica viúva, a velha fica mais irritante que nunca e pega no pé de Fanny até que ela chore. Fanny deixou para trás seu irmão, William, que também era o único que lhe dava atenção, na casa dos pais. Os anos passam e Fanny com 17 anos, vê chegarem na vizinhança dois irmãos com ares modernos, Mary e Henry Crawford. Mary, aos poucos conquista o coração de Edmund, o que vira um sofrimento pra Fanny, que sente perder o unico amigo. Henry, mulherengo, paquera a irmã comprometida de Edmund, Maria, o que causa um tremendo ciúmes na irmã mais nova, Julia. Em meio a passeios, jantares e ensaios teatrais (censurados por Fanny), os jovem se tornam muito unidos, e Fanny vira a melhor amiga de Mary Crawford, e um partido para Henry. Mostra-se não interessada em Edmund, por que ele gostaria de se dedicar ao clero (quando padres podiam casar etc), e ele começa a sofrer de amor não correspondido, trazendo seus problemas para Fanny. Por sua vez, Fanny observa tudo no background, até que Henry a pede em casamento. A partir de então, ela se transforma no centro da familia. Henry é rico, tem boas relações, é o partido que toda garota quer. Mas Fanny nunca o perdoa por paquerar Maria e Julia ao mesmo tempo e não o aceita. É um escandalo, seu tio, antes amável, a trata cruelmente, a tia Norris, a chama de ingrata, Edmund tenta convencê-la do contrario e ela perde parcialmente a amizade de Mary. Para acalmar os ânimos, Fanny volta para a casa dos pais para um visita, mas depois de 2 meses, percebe que ninguém voltaria para buscá-la, e ela não era exatamente bem tratada lá. Tendo mais 9 irmãos, ela se torna apenas mais uma na casa. Mas noticias ruins chegam, Henry fugiu com Maria (que jah tinha se casado) e Julia fugiu com um amigo de seu irmão mais velho. O irmão mais velho, Tom, está muito doente, e Edmund corre buscar Fanny. Sua presença é um conforto para a familia, e revelando que conhecia o carater de Henry, é perdoada por não aceita-lo. Mary se revela uma pessoa repulsiva e Edmund se desencanta. Para a alegria de Fanny, tempos depois ele percebe que eles eram feitos um para o outro e se casam.

Neste livro é interessante ver como os hábitos da cidade, e a quebra dos tradicionalismos incorporados por Mary e Henry acabam sendo provados ruins. Talvez seja o livro menos sarcástico de Jane, já que seu lugar preferiro para utilizar o sarcasmo, os bailes, não é mencionado mais que uma vez.

A Abadia Nothanger, é uma satira dos romances 'goticos', 'darks', comuns no tempo de Jane. Catherine Morland deixa os pais no campo e vai para Bath, uma cidade 'grande' passar o inverno em meio aos bailes e cafés com seus amigos senhor e senhora Allen. Assim que chega lá, encontra um moço, meio ao estilo anti-herói, exceto por sua boa aparencia, que lhe cativa instanteneamente. Depois de alguns triangulos, e uma amizade repentina com a senhorita Thorpe (que viria ser a noiva de seu irmão, um pouco mais adiante) e o irmão mais velho dela, Sr. Thorpe, sendo completamente incoveniente a arrastando para passeios a cavalo e a alugando durante todos os bailes (sem lhe dar a chance de dançar com seu amado Henry Tilney) . Finalmente, ela fica amiga de Eleanor Tilney e é convidada a passar alguns meses na casa deles, a Abadia Notharnger. O lugar parece um sonho para Cathy, que adora livros de terror vê uma pista em cada pedaço de papel e em cada armário que não abre, de um terrível segredo que pai deles, General Tilney, estaria guardando. Ela sinceramente esperada uma história trágica entre ele e a falecida mãe dos Tilney, mas tudo se revela uma bobeira inventada por ela mesma no final. Mas tudo se intensifica quando ela é subtamente expulsa da casa, ela imagina estar proxima ao segredo, e com isso ter desrespeitado o pai de seu amado. O tempo passa e tudo não passa de um mal-entendido. o General, orgulho, nunca perdoou Cathy por ser amiga da senhorita Thorpe (que rompeu o relacionamento com o irmão de Cathy para fugir com o irmão mais velho de Henry e Eleanor Tilney). Henry, querendo casar-se com Cathy, pe deserdado pelo pai e corre atrás dela. Eles se casam e vivem felizes para sempre, sabendo que não tinha nada de sobrenatural em Nothanger, exceto um pai muito rígido.

Em Emma, a heroína que dá nome ao livro, se orgulha em ser um 'cupido', sempre fazendo o possível para as pessoas certas se apaixonassem. Mr. Knightley aparece e se torna um amigo de Emma, enquanto ela tenta fazer sua amiga Harriet esquecer Mr. Martim, e se apaixonar por um cara digno. Mr. Knightley acredita que somente um amor-não correspondido ajudaria Emma a deixar de se preocupar tando com amores. Miss Fairfax aparece na cidade, ela é linda, sua visita deixa todos maravilhados e Emma com um pouco de ciúmes, já que ela atrai as atenções de Frank Churchill, o cara que Emma está interessada. Depois de muitos desentendimentos, Emma descobre que Miss Fairfax e Frank eram noivos em segredo. Harriet se casa com o homem de seus sonhos (que não era o recomedado por Emma) e Fairfax apenas esperava novembro para se casar com Frank. Emma Woodhouse percebe que estava apaixonada pelo amigo Mr. Knightley e eles se casam e vivem felizes para sempre.

E por fim, Persuasão, Anne Eliot se apaixona por um 'Zé Ninguém' (Frederick Wentworth) e persuadida por sua amiga Lady Russell, rompe o relacionamento com ele, o que lhe custa muito arrependimento. Tempos depois, ele propera e vira um capitão e apesar deles conviverem bastante ele ainda a despreza por sua decisão. Ele se interessa por Louisa, enquanto o primo de Anne, William, tenta seduzi-la. Mas claro, como todos seus livros, eles se dão bem, e o mocinho perdoa a mocinha, e eles vivem felizes para sempre. Esse livro é uma sátira da sociedade 'bem educada', uma percepção detalhada de comportamentos e relações, com aquele toque de celebração ao que Jane chama de o tesouro da vida, o amor.

Apesar de ser inexperiente nesse campo, é incrível ver as altas expectativas de Jane em relação a esse sentimento. Diferente de sua vida, o amor deixa todos felizes em suas histórias.

Grande autora psicologica e um pouco antropóloga, Jane Austen em seus poucos 41 anos de vida, conseguiu ser uma autora respeitada e polêmica, que mostrou em seus livros, as futilidades da sociedade decadente em que vivia.







"After long thought and much perplexity, to be very brief was all that she could determine on with any confidence of safety."
-- Northanger Abbey, Chapter 29

(post recuperado de 2005)

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