Sunday, November 28, 2010

O Retorno

O Retorno – Um filme de cair o queixo. Parece que na Rússia só saem bons cineastas. Esse filme conta a história de dois filhos (o mais novo é o protagonista), que de repente tem de volta o pai que estava ausente há mais de 10 anos. O retorno do pai já causa um estranhamento por causar um extremo desconforto na família que logo é percebido naquela clássica cena de todos reunidos à mesa do jantar. O espectador fica intrigado com a situação e é assim que o filme vai se desenvolver, torturando cada vez mais o espectador. Os três (pai e filhos) saem pra pescar e logo começa a surgir um confronto mais físico do protagonista e o pai. O irmão do meio (Andrei) fica no papel de mediador, mas sempre com uma inclinação para satisfazer o pai, o que deixa com muita raiva dele também. O menino mais novo, Ivan (se não me engano), fica com o papel de vítima e de menino mimado ao mesmo tempo. Quando está se chegando a conclusão de que ele é um mimado idiota, ele é vitima de uma baita crueldade por parte do pai, como quando ele é largado no meio da estrada, na chuva e no frio por horas, até que o pai volte para pegá-lo sem aparentar um pingo de remorso. O pai é um sujeito misterioso que faz com que se imagine capaz de qualquer coisa, inclusive de matar os filhos. As crianças estão desconfiadas, mas concordam em ir para uma ilha com o pai (apesar de já estarem atrasados para voltar pra casa cerca de 3 dias), para o desespero do espectador que acha que ele vai matar os moleques por lá. Eles descobrem facões no meio das coisas do pai e ficam com muito mais medo. É quando saem pra pescar de barco, sozinhos, que deixam o espectador pronto para gritar de agonia. A imprudência de Andrei, não se importando com o horário e indo em lugares extremamente perigosos faz com que na volta, o pai o surre. Ivan ameaça a matar o pai com a própria faca. O pai o desafia e ele corre para o meio da ilha. Aqui a tensão é tão grande que ao mesmo tempo que não se consegue desviar o olhar da tela, se está doido pra sair correndo do cinema. A cena do pai correndo atrás do filho rebelde é uma das mais lindas que já vi. A fotografia azulada, a contra luz do pôr-do-sol, e a ´toma atuação de desespero dos 3 atores faz com que se tenha uma mudança total de papeis. O pai, agora aparentando ser um ser injustiçado, preocupado e que está sofrendo horrivelmente por causa do filho. E Ivan também sofrendo loucamente parece ter chegado a um limite que nem se abrisse a garganta do pai, se satisfaria. Ele decide vencer o pai pela dor e ameaça se matar, se jogando do alto de um... que era aquilo? Um observatório precário bem alto que fica no meio da ilha. Mas o menino fica só na ameaça. Ao tentar impedir Ivan, o pai acaba caindo e morre. Os minutos de silencio para deixar ser digerida a situação são muito cruéis. O pai ameaçador torna-se a vitima e quando se pensa que tudo vai terminar bem, ele morre e deixa o espectador se sentindo injustiçado. Mas não termina aí, os meninos tem que levar o corpo do pai para o barco e de volta a terra. Mas o pai é muito pesado e os filhos não conseguem carregá-lo em uma cena muito emblemática e emocionante. Com muito sacrifício eles conseguem chegar a terra, mas não tem forças para levar o cadáver do pai até o carro e o deixa no barco para decidirem o que fazer. Nesse meio tempo, eles já perdoaram a atitude do pai. Com gritos de ‘papai! Papai!’ vindo de fora do enquadramento, há um momento de alivio ao achar que talvez ele não tenha morrido, mas para o desespero dobrado, vemos que o barco começa a afundar, levando o pai para o fundo do oceano com todos os seus segredos. Ivan, que até o momento se mantinha inexpressivo, se desespera e se mostra gostar muito do pai, tentando recuperar o seu corpo, mas claro, não consegue. É um filme que te deixa com as emoções à flor da pele.

(post recuperado de 2004)

No comments: