Sunday, November 28, 2010

Post de 2005

Não me pergunte pq, mas gostei desse post.

Filmes, muitos filmes!

Eu adoro o cinema. Não é a toa que estou cada vez mais encantada com o curso universitário que faço. É claro que alguns filmes sempre vão te decepcionar, mas tem aqueles filmes que são tão completos, tão perfeitos, que assim que termina você tem vontade de espernear gritar e chorar, implorando para poder entrar naquele universo mais uma vez. Para que se tenha essa reação, obviamente o gosto pessoal conta muito. O último filme que me deixou nesse estado foi Steamboy, do Rin Taro, que passou na Mostra Internacional de São Paulo, como eu tinha comentado nesse blog naquela época.

Com o Oscar se aproximando, eu resolvi fazer uma maratona e assistir todos os filmes que eu tinha direito. Há mais ou menos três semanas que vou ao cinema pelo menos uma vez e na última fui cinco vezes. Sim, eu estava com muita vontade de assistir a esses filmes. Desde que escrevi aqui pela última vez, antes do grande mico que contei no último post, eu assisti: Desventuras em Série, Closer - Perto Demais, Nossa Música (do Godard), Zatoichi, Sob o Céu do Líbano, Mar Adentro, Ray, Em Busca da Terra do Nunca e Menina de Ouro. Infelizmente nenhum desses filmes me fez sair em estado de choque, como Steamboy (o que mais me aproximou desse estado foi Zatoichi), mas todos valeram muito a pena. Em DVD, lembro de ter assistido Mulheres Perfeitas, Igual a Tudo na Vida (do Woody Allen), Em Carne Viva, Porque os Homens Choram e De Olhos Bem Fechados (do Kubrick), Tróia, Colateral, Eu Robô, Abril Despedaçado, Osama, Declínio do Império Americano e O Agente da Estação. Nesse meio tempo, tive três diárias de filmagem, uma delas com Cromakey... tô tão feliz!

Bom, mas continuando, meu objetivo nesse post era comentar um pouco cada filme que assisti no cinema (se fosse comentar os do DVD também, ia escrever eternamente...). Então, vou começar na ordem na qual assisti.

Desventuras em Série é um bom filme para crianças e para os adultos felizes se deliciarem em algumas partes e morrerem de ódio em outras. O filme tem aqueles aspectos técnicos pelos quais foram merecidamente indicados ao Oscar, uma Direção de Arte fantástica, uma maquiagem muito boa e um figurino de fazer inveja. As crianças, por incrível que pareça, atuam muito bem, mas tem aqueles escorregões que te fazem descer do céu ao inferno bem rápido e dolorosamente.

Closer - Perto Demais é um teatro filmado. Pouquíssimos movimentos de câmera te dão a impressão de mesmice e de que estamos girando em círculos o tempo todo, assim como o assunto que o próprio filme aborda, as relações. Muitas pessoas ficam revoltadas ao ouvir diálogos tão explícitos (Julia Roberts detalha TUDO o que ela faz com o amante ao marido), mas convenhamos que os diálogos, sendo os originais da peça de teatro, são muito bons. Clive Owen faz um personagem muito interessante e a Natalie Portman se revela como uma boa atriz dramática. A força do filme está nos coadjuvantes. Não sei se o filme leva algum crédito que a peça não leve, não sei se têm momentos realmente cinematográficos. Ele é simples e não vai além do que a peça de teatro ia; fala da vida e como ela gira em círculos, terminando exatamente como começa.

Nossa Música... O que posso dizer desse filme? É Godard... Eu não me sinto qualificada para comentar decentemente um filme dele. Apenas digo que o filme, em seu ritmo lento característico do diretor, te leva a uma viagem reflexiva mostrando subjetivamente o que o diretor considera Terra, Purgatório e Paraíso. Estranho? Assista e depois venha comentar.

Zatoichi é muito bom, talvez o melhor de todos os filmes que citei acima. Quem está familiarizado com animes como Rurouni Kenshin e Inuyasha vai se sentir em casa. O filme se passa no Japão Feudal, naquele clima que todos os fãs de anime já conhecem, um espadachim misterioso e MUITO bom anda por aí vivendo humildemente enquanto se torna uma lenda na boca do povo. O que surpreende e empolga são as cenas de lutas e as seqüências musicais. Sim, é um musical japonês em clima de anime. A mistura funcionou e o filme é fantástico. É impossível tirar da cabeça o sapateado final, quando todos os personagens (inclusive os que morreram durante o filme) dançam uma coreografia de cair o queixo e deixam a platéia com vontade de pular e sair dançando também. A minha única crítica ao filme é que os efeitos especiais (basicamente, os sangues jorrando), são muito ruins, tanto que cada vez que se vê da vontade de dizer 'Putz'.

Sob o Céu do Líbano é um filme interessante, mas nada que impressione. Tenho a impressão de que ele existe unicamente para fazer um papel social sobre o eterno combate de fronteiras entre os árabes e os israelenses. Trata-se de um romance proibido e um casamento arranjado. Um triângulo amoroso básico que, como qualquer outro, termina em uma tragédia jogada subjetivamente para funcionar de eufemismo. Os personagens são fortes e muito interessantes, talvez seja somente eles que seguram o publico nas cadeiras.

Mar Adentro é um filme que você vai assistir sabendo que você vai chorar só de ler a sinopse porca que o jornal oferece. Trata-se de um tetraplégico que espera 28 anos para que a justiça lhe conceda a eutanásia. Nos seus últimos anos, ele tem um destaque especial na mídia, ganha novos amigos que o ajudam a querer a viver e não a morrer e como o assunto é muito delicado, mal se pode tocar decentemente no assunto sem que o enfermo se ofenda e comece a usar frases fortes e de efeito contra eles. O interessantíssimo nesse filme é o fato de mostrar o lado de todos os envolvidos da vida o tetraplégico. Alguns constroem suas vidas em torno do mundinho do doente, outros saem do ambiente para ter suas famílias, mas não o abandonam completamente, amigos gostam da idéia da morte e outros se apóiam nele como conselheiro psicológico. O fato é que ele não consegue a permissão para morrer então, se suicida com Cianureto, conseguido por 'mãos amigas'. Mas não posso terminar sem falar no maravilhoso plano seqüência do vôo do enfermo até a praia. Em um mundo onírico criando pelo doente, ele tem o poder de voar... Com a música italiana de fundo e a tomada área sobrevoando montanhas e vales verdejantes até terminar no mar, realmente é uma das coisas mais impressionantes que já vi. Foi o momento cinematográfico do filme.

Minha opinião sobre Ray foi muito influenciada pelo fato de ter acidentalmente trocado de sala e não estar esperando ver esse filme. É um bom filme que mostra a ascensão do recentemente falecido cantor, abstendo-se completamente dos últimos anos de sua carreira na qual sua música já estava em um estado decadente. É um filme moralista que mostra uma dicotomia entre um mundo bonzinho e fiel sem drogas e um mundo malvado, promiscuo e viciado. Ele bate muito na mesma tecla, adiantado tudo o que poderia vir a ser uma surpresa. É como se o 'Grilo Falante' ficasse ao lado da tela dizendo 'veja, agora ele está fazendo sucesso, mas está usando drogas... e ele continua... continua... um dia ele cai, você sabe, né?' Mas é um filme que se propõe a ser uma biografia 'fiel' a vida de Ray, e com a trilha sonora muito bem escolhida (afinal Ray Charles tem ótimas musicas) e uma atuação surpreendente de Jamie Foxx, o filme com certeza vale a pena.

Em Busca da Terra do Nunca é o tipo de filme que mistura fantasia e realidade de uma forma divertida, inteligente e principalmente, que funciona. Ele te leva ao mundo da composição de uma das peças teatrais mais famosas do mundo, Peter Pan. Johnny Depp e Kate Winslet mostram do que são capazes. São muito bons e dão a áurea onírica, um brilho especial. A única coisa que me irritou um pouco, foi o fato de terem escolhido crianças bonitinhas e fofinhas que se chorassem levariam o público às lagrimas também. Essa é a única forma de apelação emocional que vi, se teve alguma outra, ela foi muito bem escondida. Sei que demorarei um pouco até esquecer a cena na qual Kate Winslet 'entra' na Terra do Nunca e desaparece com um fade out em meio às fadas e balanços de flores.

Por fim, Menina de Ouro, o trabalho mais recente de Clint Eastwood. A crítica colocou o filme em um pedestal, todos assistem e saem desidratados de tanto chorar no final. Para os que ainda vão assistir, não leiam porque terá spoilers. O roteiro gira em torno de um baita clichê. Uma menina que quer ser lutadora de boxe e para isso tenta ficar amiga do agente durão que se recusa a treinar garotas. Eles acabam ficando muito amigos, como era de se esperar, e ela se torna uma grande lutadora, apenas perdendo o título mundial porque a lutadora adversária (que também é prostituta, malvada e trapaceira) com um golpe ilegal a nocauteia, ela cai em cima de um banco e quebra o pescoço, ficando tetraplégica. Agora o foco não é mais nas lutas de boxe, mas nas condições da ex-lutadora. Como também é de se esperar ela pede para que seu amigo e treinador, a mate. Pronto. A platéia cai aos prantos. A família malvada da mocinha resolve ir visitá-la para que ela assine um documento transferindo todo seu dinheiro para eles, mas antes fica em explícito (quase que ridiculamente), que eles foram à Disney antes de entrar no hospital. O treinador faz o que a mocinha lhe pediu e a mata com uma injeção letal, desaparecendo no mundo logo em seguida. É um filme simples, com um roteiro fraco e com uma fotografia muito boa. Me pergunto se o diretor fosse um Zé Ninguém, e não o Clint Eastwood, se todos idolatrariam o filme tanto assim.



Bom, de filmes chega por hoje.

No comments: