Sunday, December 18, 2011

Quem sou eu...?

Sou aquela que usa vestido quando a moda é calça skinny.

Sou aquela que ainda gosta de maquiagem simples e rápida as esfumaçadas.

Refugio-me nos tons de cinza e mantenho a postura monocromática.

Sou sua melhor amiga.

Sou aquela que torce atrás da cortina quando o seu romance dá certo.

Vibro a cada conquista, como se também fosse minha.

Sou aquela que todos gostam de trocar três palavras vazias nas festas.

Destaco-me momentaneamente e sorrio nas fotos. Daqui uns anos quando olharem essas fotos, perguntarão “qual era o nome dela mesmo?”

Treinei meus ouvidos para te ouvir. Afofei meus ombros para te consolar.

Anseio por ser a amiga que todos querem.

Sou aquela que vai sozinha em casamentos.

Sou aquela que usa chapéu em funeral.

Sou aquela que é sempre simpática.

Sou aquela que na presença você lembra e que na ausência não faz diferença.

Vocês não vão lembrar-se de mim na hora da pizza, talvez se lembrem de uma piada que contei uma vez.

Daqui uns anos podemos nos cruzar na rua e o pensamento será “Já vi ela antes... mas onde?”

Aquela pessoa que você nunca viu gargalhar e nunca viu chorar. A amiga morna, arrumada, que se vira sozinha.

Sou aquela que fala sobre todos os assuntos que não mudam a sua vida, mas que te divertem para esquecer-se dela um pouco.

Sou aquela que vocês não sabem o que pensa, mas que também não importa.

Aquela que fala de literatura, cinema, arte, arquitetura, ciência e Óvnis.

Aquela que tem frases prontas de autores famosos na ausência de originalidade.

Vocês não vão lembrar, mas não se sintam culpados: haverá outra de mim por aí.

Thursday, November 10, 2011

The Bucket List - O que fazer antes de morrer

O filme com o Jack Nicholson e o Morgan Freeman me inspirou a fazer essa lista. Coisas que tenho que fazer antes de morrer!

1. Escalar uma montanha
2. Conhecer Machu Picchu
3. Pular de paraquedas
4. Ir de terno num casamento
5. Fazer trabalho voluntário com animais selvagens
6. Um longa-metragem de animação
7. Passar um mês na França
8. Fazer o Caminho de Santiago de Compostela
9. Conhecer Portugal
10. Conhecer a Espanha
11. Conhecer o Reino Unido
12. Conhecer a Alemanha
13. Conhecer o Japão
14. Conhecer a Rússia
15. Ir até Taj Mahal
16. Conhecer do Budismo
17. Praticar alguma arte-marcial (kung-fu!)
18. Abrir um abrigo para resgate de cães abandonados
19. Comprar novamente minha câmera profissional
20. Andar de balão
21. Construir minha própria casa
22. Esquiar
23. Mestrado de Restauro na Itália
24. Pintar com tinta óleo
25. Publicar meu livro (engavetado)
26. Ir às geleiras eternas da Patagônia
27. Sobrevoar as linhas de Nazca
28. Ir ao Deserto do Atacama
29. Comprar loucamente em New York!
30. Sair sozinha e curtir muito!
31. Barriguinha de Tanquinho!
32. Lipoaspiração!
33. Usar um vestido parecido com a coleção de 40° aniversário da grife Ralph Lauren, de 2007 com o tema My Fair Lady.
34. Olhar no espelho e não ver nenhum defeito nem desviar os olhos.
35. Aprender a tocar Cello
36. Aprender Japonês
37. Aprender Alemão
38. Aprender Espanhol
39. Visitar a Muralha da China
40. Visitar a Manchúria
41. Fazer uma viagem em ao espaço
42. Ir até Houston pra testar a Gravidade Zero na NASA.
43. Cozinhar um banquete sozinha
44. Ter um doutorado
45. Ganhar flores, que não seja de nenhum parente, nem no meu velório.
46. Passar uma noite num castelo medieval
47. Morar pelo menos um mês na Suíça
48. Passar um dia inteiro dentro da biblioteca Mario de Andrade
49. Assistir musicais na Broadway
50. Cantar ópera (de verdade!)

Wednesday, November 09, 2011

A Viagem do Elefante

Acho que já comentei como gosto do Saramago. Gosto da maneira como ele explora tabus e o limite da resistência humana. A Viagem do Elefante é um pouco diferente, por ter como objetivo narrar uma trajetória de um elefante que saiu de Lisboa e caminhou até Viena por volta da data de 1550. Saramago reuniu elementos verídicos em sua grande maioria, mas deixou que a ficção completasse as lacunas históricas.

A narrativa começa com o Rei e a Rainha de Portugal querendo presentear o primo Maximiliano, de Viena, e por não haver muita utilidade para um elefante em Portugal, a saída foi dá-lo ao primo. Afinal, o paquiderme era apenas uma besta que só comia.

Durante a trajetória, novamente é possível identificar alguns elementos conhecidos de Saramago. O milagre que o elefante Salomão realiza na porta de uma igreja nada mais é do que uma critica ácida.

Salomão é deus, é animal, é fedido, e tem todos os reflexos emocionais dos homens projetados sobre ele. Seu cornaca (uma palavra que significa tratador de elefantes) Subhro com seu olhar de estrangeiro critica o sistema, a politica e a religião dos homens que o levam, mas se submetendo as vontades daqueles que são mais poderosos, ao ponto de aceitar (mesmo que com alguma resistência silenciosa) o novo nome de Fritz.

O final é maravilhoso. Sua ideia de passar a ironia da vida, nossos esforços em vão para chegar a algum lugar, deixa o livro com um gosto amargo. É o tipo do livro que não te permite olhar para o lado. Você não quer deixar de ler nem por um minuto.

Em uma entrevista coletiva, Saramago diz "[Contei esta história] em primeiro lugar, porque me apeteceu, e em segundo lugar, porque, no fundo - se quisermos entendê-la assim, e é assim que a entendo - é uma metáfora da vida humana: este elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas”

"Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante - que, depois de tudo aquilo, acaba de uma maneira quase humilhante, aquelas patas que o sustentaram durante milhares de quilómetros são transformadas em objectos, ainda por cima de mau gosto - no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso", defendeu.

Realmente, e a dedicatória, no começo, “A Pilar, que não deixou que eu morresse”. Acho lindíssimo o relacionamento que Saramago teve com a esposa, 20 anos mais nova.
Mas aí, já é uma crítica para quando for escrever sobre o filme José e Pilar.

Sunday, November 06, 2011

Maldita Calcinha

Sabe aquela calcinha que se compra quando se está no topo da autoestima? Com seus 1,60 e 45kg? Perfeito cabide que pode desfilar sem uma celulite ou gordurinha fora do lugar? Pois aquela calcinha sabe que você a comprou para usar uma vez: depois daquela sessão de drenagem e antes daquele bolo de chocolate.

Essa é a maldita calcinha. Ela sabe que ficará no fundo da gaveta e vai rir toda vez que for esticada e puxada para tentar entrar nessa bunda gorda. Sempre estará presente porque se tornará uma meta: um dia ela vai entrar novamente.

E a maldita é linda! Vem com sutiã e lacinho de perna para combinar. O sutiã dá pra usar. O lacinho? Gata... é melhor jogar fora que a frustração será em dobro.

Ela é a lembrança do que você foi e espera um dia (em vão) voltar a ser. Ela é um desafio e debocha, com sua renda preta quase estourando, que novamente não vai rolar nada essa noite. Quem tem coragem? Ninguém curte uma dobradinha – fora-de-moda!

Se jogar fora ela vencerá. Aceitou-se o destino: nunca mais será usada. Derrotada por uma calcinha e uns quilinhos a mais!

Aquele suspiro desesperançoso toda vez que se abre a gaveta e dá de cara com ela. Por que ela fica sempre em cima das outras? Até parece que salta por vontade própria!

- Não vai tentar me esticar hoje, querida? – a calcinha parece perguntar.

- Não quero renda hoje.

- Prefere a de ursinho... tamanho G, né? – E é melhor fechar a gaveta antes que a tagarela espalhe para os shorts e as saias.

Nada de carboidrato hoje. Onde está aquele sorvete light?

As calças jeans já ouviram os rumores e se recusam a entrar com a mesma facilidade. A maldita calcinha está reunindo aliados!

Pois fique sabendo Dona Calcinha, que por mais que você desfile nos corpinhos de Giseles por aí você não passa de um pedacinho de renda. Um pedacinho imbecil que teima e me tira do sério todos os dias.

Não vou te jogar fora e vou tentar te vestir novamente amanhã, mesmo que termine a tentativa com um suspiro e uma corrida até a balança no banheiro!

Sunday, October 23, 2011

About Parents

I changed jobs; I love every minute of my new work. I’m barely seeing people at home and I’m barely sitting down in front of my computer. This is so strange. I thought I’d go crazy if I spent a day away from the Internet and suddenly… I’m feeling crazy if I stay home too long.

That’s pretty much the premise I’ve been discussing in my therapy. I’m giving up on my life at home. I’m not counting on my parents for anything anymore. I’m just going and doing it.
Is it what ‘go with the flow’ means? I’m feeling like I’m breaking free of a prison I didn’t know I was living in. They may judge every corner I turn, but I won’t stop turning it just because they wrinkled their nose in disapproval.

I hate saying it, but I just realized their not the best parents in the world. While my dad is so alienated with church he can’t barely keep a subject without avoiding the word of his god (pushing away our best friends- of years - of different religions) and all the depressed talk that one day his god will give him money again…; my mom will just nod and try to play the good submissive wife that never disagrees with him fearing she’ll end up a divorced old woman.

I used to ask opinions and do as they said, but their answers were always ‘don’t do this.’ ‘Don’t go out today,’ ‘you’re not good enough’ ‘I hate that dress, change it.’ ‘You’re not a good driver.’ So much negativism! I’m never good enough, I’m never courageous enough, I’m way too feminist, I’m way too skinny, I’m way too fat, I’m so insane because I go to therapy!

You know what? I’ve never been happier and I realized it’s because I’m away from them. They may not be the complete cause of my depression and low self-esteem, but they certainly aren’t part of my treatment.

Sunday, September 11, 2011

Sobre a Faculdade

Na verdade não acho que seja exatamente um texto exclusivamente sobre a faculdade, mas sobre o processo de aprendizado desde o momento em que se pisa na faculdade a primeira vez até a vida profissional.

Aos 16 anos terminei meu curso de desenho na escola de Arte Igayara no Tucuruvi, Zona Norte de São Paulo. Quando me despedi do professor perguntei a ele qual seria o meu próximo passo. Ele me falou para escolher uma faculdade de Desenho Industrial, onde viraria Designer, Ilustradora... e também mencionou fazer um curso técnico de animação.

Enfim chegou o dia em que comprei o Guia do Estudante e fui escolher minha profissão. Lá no meio de um monte de coisa estava: Cinema. Uma das aulas: Animação. Nossa! Que fantástico, vou aprender tudo sobre cinema, ganharei o titulo de cineasta e ainda não tem nenhuma aula que envolva (meu pesadelo) matemática!

Feliz da vida; passei na FAAP e fiz o curso mais encantador e rico que poderia imaginar. Acreditei que absorvi completamente cada explicação de todas as matérias. Não perdi uma palestra na semana da Comunicação. Orgulhosíssima, me tornei monitora do laboratório de animação. Meu TCC foi uma animação. Minha vida profissional depois daquilo... bem...

Entrei em empresas para trabalhar com produção, fiz alguns filmes publicitários, mas sempre com aquele sentimento que eu não conseguia fazer nada direito, que a falta de rotina era esmagadora e que o salário não pagava nem a gasolina. O que era verdade, meu cachê eram vergonhosos 100,00 por semana. Tirei uma casquinha modelando para alguns cartólogos para compensar. Mas poxa... não é isso.

O problema é que me acho feia, não consigo falar com as pessoas por ter vergonha de mim mesma, certo? Coloquei aparelho, dei aula de inglês e paguei uma plástica. Pronto. Agora estou linda e... não, não tem nada de confiante aqui. O que falta? É... esse negócio de cinema não vai dar certo pra mim. Não consigo! Não sou boa o suficiente. Vou fazer arquitetura.

De repente, consegui trabalhar numa produção da Disney. Conheci pessoas fantásticas e juro que se o trânsito não fosse tão exaustivo eu teria vivido disso pra sempre (imaginando que sempre teríamos filmes pra trabalhar). Pessoas que pensam e tem o mesmo tipo de humor que eu. Me achei no mundo. Mas o filme tem que estrear um dia, não tem? E eu tenho que terminar a faculdade de arquitetura, não tenho? Digo... não sou tão boa assim com animação. Não vou conseguir me sustentar nessa carreira.

Um estágio em arquitetura! A oportunidade de fazer uma coisa que não fiz com cinema: trabalhar enquanto estuda. Putz, me contrataram full time. Tempo pra estudar? Bom, vou levando... fim de semana não serve pra nada mesmo.

E eis o ponto que parei pra refletir: gosto de arquitetura, mas não sou apaixonada por ela como sou por animação. Revi minhas matérias do curso de cinema. Tem tantas coisas que não era matura o suficiente pra entender quando aos 17 anos comecei a estudar. Eu me formei com 21 anos, era tão babaca, não compreendia metade do vocabulário técnico. Duvido que tenha absorvido as aulas da Malu, do Pondé e do Plácido por completo. Eram aulas tão ricas e que saudade que tenho delas! Eu poderia refazer o curso hoje e aprender o triplo.

Eu fico tão revoltada quando estou na aula de arquitetura e percebo que as aulas não estão fazendo sentido para alguns. Acho que fui exatamente assim durante a FAAP. Achava que entendia, mas não entendia. Que tristeza olhar para meu reflexo de alguns anos atrás, mas que bom que hoje tenho essa consciência.

Pode ser nostalgia, pode ser remorso de uma inocência que não sabia que estava me atrapalhando. O que eu sei é que tenho uma saudade absurda das aulas fenomenais que tinha no curso de cinema e lamento o fato de não ter aproveitado 100%. Tinha consciência que talvez fosse precisar de tudo um dia e por isso guardei todos os textos e todas as anotações das aulas. Tenho 9kg de papel intitulado FAAP no armário.

Mudei de estágio e estou muito feliz na minha nova rotina. Meu objetivo era resgatar o que sinto falta do cinema, mas quer saber? Não adianta querer abraçar o mundo agora. Muita coisa está acontecendo. Jobs de cinema estão surgindo sem eu ir atrás, Jobs de arquitetura aparecem na minha frente como peças de Tetris. Sinto que não aproveitei, mas estou me virando e mais do que nunca quero levar as duas profissões em paralelo.

Acredito que minha formação de cinema pode moldar meu estilo arquitetônico, posso criar coisas únicas. Posso usar a arquitetura para fazer cenários fantásticos para o cinema, posso fazer animações com backgrounds realistas como ninguém.

Sempre me perguntam: por que faz duas faculdades tão diferentes? Não são diferentes. Elas se complementam. O detalhe é que elas se ligam por uma linha tão sutil que poucos percebem. Não joguei meu tempo fora. Que bom que percebi!

Thursday, September 08, 2011

Resoluções!

Quase que esqueço das resoluções! Eis aqui a resolução do mês 8 e um pouquinho do 9.

Metas Profissionais:
- 3ds Max- Preciso praticar!!!!!
- Curso de Maquete Eletrônica - Achei que teria tempo pra pesquisar, mas meu tempo só encurtou.
- Pesquisa: Entregue.
- Nova Pesquisa: On hold até o professor assinar o contrato.
- Francês: De volta as aulas!
- Emprego: Fiquei brava com o hospital. Me transferiram para uma área que não era do meu interesse. Pedi minhas férias antes que surtasse. Uma semana de férias e recebi uma proposta para trabalhar ao lado de casa. Estou atualmente em uma obra que vai terminar só em dezembro do ano que vem. Volto pra casa muito cansada e suja, mas pelo menos ganho em dobro.


Hobby e Saúde

- Primeiro livro pronto, segundo livro já está 1/3 escrito e parado até eu entender quando terei tempo livre novamente.
- Farei pilates.... se tiver tempo.
- Diminuir bumbum: consultado e orçado. Estaria me recuperando da cirurgia hoje, mas tenho que trabalhar, então... adiado para quando puder sair uma semana de folga.
- Preciso marcar gineco, dermato e oftalmo, e mudei de convênio.
- Livro O Tempo e o Cão 4/10
- Terei que ler mais um livro de francês para o curso. 3/2
- Preciso de mais dois livros em italiano. 1/3
- Adicionando mais um item a lista: Livros por diversão: 5 Livros da Série Pearcy Jackson e One Day. Então 6/0

- Nada de viagem esse ano.
- Beber sozinha?!
- Filmes clássicos: 8
- Saí 7 vezes.
- Estou me sentindo popular.
- Museus: Tempo... tempo....
- O templo, caramba!
- Não estou fugindo das pessoas. Aliás, estou tendo umas surpresas bem legais. ^^

Thursday, September 01, 2011

O Desafio Musical De 250 Dias

Postarei por 250 dias? Eu não sei, mas tá engraçado por enquanto.

O Link no facebook para quem também se interessar:

http://www.facebook.com/pages/O-Desafio-Musical-De-250-Dias/187223394663891

1 - Uma música que te lembre a sua infância

Era pequena mesmo: nessa apresentação tinha 1 ano! XD



Xou da Xuxa - Meu Caozinho Xuxo - 1986

Thursday, August 25, 2011

Sabe quando eu tinha tempo pra desenhar...?

Eu lembro desse tempo que conseguia ficar horas sentada na frente da mesa, com uma luz forte na frente e desenhando. Nunca me cansava.

Lembro que aos poucos fui perdendo a imaginação e conforme precisava de mais horas de estudo acabei cortando as horas de desenho.

Fui arrumar um armário ontem e encontrei alguns trabalhos de quando tinha uns 16 anos.

Me perguntei: porque diabos parei de desenhar? E o mais importante: posso recomeçar?












Monday, August 15, 2011

Para Respirar Novos Ares


Preciso aprender a me valorizar e isso não é uma coisa que só eu acho, mas que todos vivem me dizendo. Às vezes encano com uma espinha na testa que está escondida debaixo da franja. Não vejo 1,58m, e me concentro em 2 mm de espinha, acreditando que aquela bolinha vermelha está me fazendo ser um verdadeiro monstro.
Existem algumas situações onde tenho que fazer apresentações e preciso fazer uma composição com as cores do logo da empresa. Por mais que pegue a cor com o conta-gotas no Photoshop, eu ainda fico me remoendo, acreditando que a cor não está correta e que no meio da apresentação, com os engravatados, alguém vai parar e apontar meu erro.
Eu faço tudo tão certinho, tão perfeito...
E só eu não sei saborear o momento quando sou reconhecida. Em alguns momentos isso é até visto de maneira negativa. Aconteceu de entrar para trabalhar em um lugar com uma função, uma semana depois fui promovida de estagiaria a assistente e 11 meses depois continuei como assistente, mas dominava um setor sozinha e logo me apareceram outras obrigações que não estava no escopo da minha função.
Aos poucos perceberam que eu era capaz de fazer muitas coisas, afinal tenho uma formação multidisciplinar. Fiz de tudo, desde planilhas, a plantas, a apresentações, a trabalho de secretária, a ilustrações. E aí que caiu a ficha: se eu cobrasse a parte pelas plantas e pelas ilustrações eu estaria ganhando muito mais...
Fiz uma pesquisa de salários. Na Catho, meu cargo está anunciado algumas vezes e com um salário duas vezes maior, em alguns casos. O que diabos estou fazendo aqui?
Bom, eu gosto do local geralmente quando os colegas de trabalho ajudam isso não é um problema aqui. O salário pesa bastante, mas quando estou ganhando experiência eu consigo relevar esse fator, mas assim que tiram o aprendizado de mim... quando me pediram para me concentrar na administração e não na criação... é quando percebi que meus dias estão contados.
E a ficha caiu: não estou mais satisfeita com a minha situação. Eu gosto de criar e eu gosto de dinheiro. Eu estou perdendo muito mais em matéria de estresse e ócio do que ganhando em salário.
É verdade que ganhei muita coisa: um ano de experiência, obras significativas no currículo; ganhei agilidade no AutoCAD; paguei meu curso de francês e ainda consegui fazer uma viagem internacional.
E é assim que estou descobrindo o que realmente importa pra mim: não é o trabalho nem a rotina, mas o que estou aprendendo e ganhando com ele. Agora que parei de aprender e ganhar com ele, está na hora de ser um pouco mais ambiciosa.
Eu estou em uma área onde o mercado está aquecido, eu sou mão de obra qualificada e tenho experiência.
O que estou fazendo aqui?
Bom, tomei minha decisão. Preciso respirar novos ares e voltar a aprender em outro lugar. Realmente, estagnar não é muito a minha cara.
Então, reconheci que eu mereço algo melhor, mais respeito, mais remuneração, mais aprendizado. Demorei, mas entendi.

Friday, July 29, 2011

Resoluções!

Último dia útil de Julho. Minha melhor amiga: a sexta-feira. Eu achei que ia aproveitar essas férias sem curso intensivo de francês para realizar várias metas, mas fiquei com uma preguiça e um desânimo sem igual. Eu poderia colocar a culpa no inverno... que ainda não troxe aquele frio inspirador, mas acredito que a culpa seja minha e só minha mesmo.
 
Metas Profissionais:
- 3ds Max- Preciso praticar!!!!!
- Curso de Maquete Eletrônica - Enquanto não me dizem se vai ter o curso de Revit ou não, a melhor saída e procurar aulas online no youtibe.
- Pesquisa: Capítulo 5 e formatação da bibliografia prontos. Pretendo terminar a conclusão ainda hoje e mandar para a orientadora.
- Nova Pesquisa: On hold até final de agosto.
- Francês: Férias, para minha tristeza.
- Emprego: daqui 20 dias vencerá minhas férias, mas acabei de começar a organizar mais uma reforma para semana que vem... o que significa que só saio de férias depois que a reforma estiver terminada e com toda documentação em dia.  

Hobby e Saúde

- Primeiro livro pronto, segundo livro já está 1/3 escrito e estou curtindo pra caramba minhas invenções. Pesquisa de editoras em andamento, mas acredito que preciso me interar na legislação autoral internacional, primeiro.
- Estou em entre yoga, pilates e muay thai. Sugestões?
- Diminuir bumbum: consulta será só na próxima terça.
- Preciso marcar gineco, dermato e oftalmo, mas aí só depois das férias.
- Livro sobre Hitchcock não conta como livro pra facul, não? Vou contar. 3/10

- Acho que já deu de livro em francês por enquanto. 3/2

- Preciso arrumar mais dois... sugestões? 1/3

- Adicionando mais um item a lista: Livros por diversão: 5 Livros da Série Pearcy Jackson e One Day.  Então 6/0

- Acho que consigo fazer minha viagem e a lipo. Estou pensando seriamente nisso. Por mais que fique com menos dindin guardado, eu preciso é fazer as coisas que eu gosto enquanto posso. Estou apenas pensando em adiar Macchu Pichu para ir pra Londres e ver minha amiguinha.
- Não saí pra beber sozinha... mas hoje tem balada!
- Filmes clássicos: assisti From Here to Eternity, Who's Afraid of Virgina Woolf, Now Voyager.
- Saí 5 vezes! E hoje será a 6°! 
- Estou me sentindo popular.
- Museus: Vai passar Rigoletto no Theatro Municipal em setembro. Vou assistir!
- O templo, caramba!
- Até que estou passando bastante tempo fora do quarto. E to conhecendo pessoas ^^

Monday, July 25, 2011

Conversas internas.

"O que você quer da vida?"

"Não sei."

"Do que está sentindo falta?"

"De fazer alguma coisa."

"Que coisa?"

"Qualquer coisa."

 

É a preguiça, o ócio, o tempo livre demais. É querer aproveitar as horas 'não-produtivas' para não fazer nada, como se mexer um músculo fosse um grande esforço e só merece ser mexido se for pago para isso.

Querer sair, ir à biblioteca, ao cinema a balada, conhecer pessoas novas é produtivo. Então não é digno de ser feito durante o tempo do ócio. O grande esforço de decidir o que fazer; o pensamento na conta a ser paga no final de uma balada que nem fui ainda. E no fim das contas nem é tão divertido assim.

 R$13,00 em uma caipirinha... em casa faço por menos de R$3,00.  Só preciso de um bom curso de bartender que vou fazer nas horas vagas... não... não vou fazer.  Pegar trânsito em dia não-produtivo pra aprender a fazer caipirinha... que piada.

Talvez devesse terminar de ler aquele livro sobre o Hitchcock... mas tá tão longe... alí na escrivaninha. Não quero levantar pra pegar.

Sempre quis tentar fazer aquelas maquiagens dos anos 20... vou ver um tutorial no youtube e vou tentar. Não... não vai ficar bom em mim. Não tenho uma boca dessas e batom vermelho não combina. Não posso usar essa maquiagem no dia-a-dia mesmo.

Não posso usar aquela roupa no dia-a-dia. Aquelas buzinadas e as agressões verbais que deveriam ser consideradas elogios me torram a paciência quando saio do escritório para a sala de reuniões há duas quadras.

Olha aquele vestido novo na vitrine... R$ 60,00 não é caro. Mas mostra tanto as pernas... é, primeiro vou emagrecer, depois eu compro. Mas não emagreço nunca. E logo o vestido será vendido... bom, melhor assim, menina de perna gorda não merece vestidos.

É impressão minha ou há três anos eu era mais bonita? Será que estou velha? Existe creme antiidade 25+... falam pra eu começar a usar. E essa maldita celulite que não some? É isso... não como mais carboidrato hoje...

Eu gosto de mim mesma. Digo... olha meu peito... é lindo e foi caro. Talvez devesse começar a usar um sutiã mais bonito... ah não, aqueles de renda só pinicam e ninguém vai ver mesmo. Ninguém vai ver... cara, que vontade de comer um chocolate. Não! Sem carboidratos hoje! Mas hoje é domingo... é um presentinho pela coragem de encarar a segunda-feira.

Droga... estou gorda. Que imbecil que sou, porque fui comer aquele chocolate? Chega de comer por hoje. Vou me distrair com algum seriado.

Droga, os seriados só voltam em setembro. E que tal um filme? Não... e música? Pode ouvir Frank Sinatra ou Plácido Domingos... eu queria mesmo era ouvir Backstreet Boys... mas superei essa fase.

As músicas nem têm mais graça. . Não tenho mais vontade nem de bater o pé no ritmo. Adoraria desenhar, mas meus desenhos são tão feios. Não acompanho mais nenhum quadrinho. Não vejo mais TV. Não estou com saco pra ler.

Não, não, não, não...

Não quero mais trabalhar lá. Estou sem forças. Sem vontade. Será que é o trabalho que está drenando minha energia desse jeito? Se eu fizesse algo que gosto será que seria diferente?

Não... não... não...

É que eu não gosto de acordar cedo. Acho que meu pai estava certo. Eu sou uma vagau mesmo.

"O que eu quero?"

"O que é?"

"Quero ficar na cama."

Wednesday, July 13, 2011

More Whinings about Life

There are some things I just don't know how to deal with. Growing up is the biggest of them. How do you know when you're ready to walk on your own? The ghost fear of falling is ever present and consumes most of my way, making me see rocks and thorns and usually would go unnoticed.

I feel like I'm in the middle of a swirl. I'm letting myself to feel dizzy and lost between what I want and what I need. I think I'm into something big, like a fork where I cannot advance until I can make a decision. I love art and I'm in such bureaucratic job…  I like my job because it's convenient and I'm learning things I wouldn't see in college, but it's so dirty and so political… everything I do or say goes beyond the walls. I feel like I'm constantly tested so they will know my limits. I'm an extremely easy going person and I think my communicative and straight-forward in everything I do, but… I realized people with power just don't like to hear anything other than their own voices.

In moments like this I question things like… am I doing the right thing? Am I ever going to be happy working with something so distant from art? I cowardly stepped back from art thinking I wasn't good enough to support myself with it, but now I think I'm not strong enough to work with something that is so distant to my dreams.

I don't want to wake up tomorrow and regret working in something that doesn't make me happy, but I'm also afraid to realize I'm not good enough to do what I want to do.

This is the freaking choice: do I try going back to filmmaking or illustration and jeopardizing my regular paycheck or do I swallow my pride and continue being just an ordinary and dispensable pawn with a paycheck?

When the time to make this decision arrives I think it's going to be so groundbreaking that I won't even see it coming.

The truth is I'm afraid. Very afraid. I wish someone would make this decision for me so I could blame them later if nothing works out.

Monday, July 11, 2011

Neon Genesis Evangelion

Alguém já deixou um bilhete para si mesmo em alguns anos? Eu encontrei um que tinha feito aos 16 anos. Eu pedia para assistir novamente e ler novamente algumas histórias que não tinha entendido. Eu não lembro mais as circunstancias que me levaram a escrever o bilhete, mas lá estava escrito muito claramente para tentar assistir Neon Genesis Evangelion de novo e ver se entendia aquele final.

Faz um bom tempo que deixei de assistir animes e ler mangás. Não porque não gosto, mas porque as histórias não tem mais aquele apelo que tinha antes. As novas histórias não me atraem, não sei por quê. Resolvi dar mais uma chance a Evangelion.  

Talvez com 16 anos eu fosse muito bobinha ou meu inglês era muito fraco (eu gosto de assistir com o áudio original e a legenda em inglês, não pode ser outra língua. Deve ser mais uma das minhas neuroses). Eu sei que finalmente eu entendi o plot Nerv/Seele. Sim, isso esclareceu muita coisa pra quem pensava que a história era só luta entre mechas gigantes.

Admiro muito a animação, principalmente para a época que foi feita. Até mesmo os subplotes e a construção dos personagens foram mais compreendidos agora. Finalmente eu não fiquei com raiva do Shinji por ser um molóide depressivo, mas eu entendi a origem dessa depressão, coisa que realmente, na primeira vez que vi, eu não tinha estrutura para entender.

O final ainda me incomoda, não por não ter entendido, mas por achar que foi pretensioso demais. Eu assisti os episódios normais, os director's cut, Death and Rebirth e o End of Evangelion. Li o mangá também, principalmente porque queria saber como colocariam no papel aquela esquizofrenia do Instrumentallity. A porcaria do mangá não termina. E apesar de ter gostado muito da versão Iron Maiden 2nd, não foi bem o que eu queria.

Se eu tivesse que refazer aquele roteiro, eu ficaria numa parte mais psicológica, talvez tentasse algo mais verossímil (não transformaria todo mundo em sopa, really!).

Eu até aguento a viagem, mas queria muito saber o que acontece depois que Shinji e Asuka acordam na praia. Mais 3 minutos seria o suficiente para saber o que passou pela cabeça deles naquele momento. Tudo bem que a intenção é cada entender o que quer, mas é tão frustrante... isso é uma das coisas que eu reclamava na faculdade. Odeio filmes que deixam para o espectador tirar suas próprias conclusões. Eu gosto de saber o que o criador pensou. As vezes imagino que esse recurso serve apenas para preencher uma falta de imaginação para terminar uma história.

Eu andei pesquisando o que rolou nesse tempo (10 anos!) que fiquei sem ver nada de Evangelion. Está saindo uma nova versão com uma animação maravilhosa, com algumas diferenças no plot e alguns personagens novos. O ultimo filme saiu em 2009 e eu sinceramente estou sem paciência para esperar os próximos. Tem 4 anunciados e dois já saíram. Será que dessa vez eu vou ver o que rola depois da praia? Será que dessa vez vão dar um final decente?
 
 

 

 

Sunday, July 03, 2011

Ils ont choisi de ne plus travailler

Un jour, ils se sont dit : C’est fini, j’arrête ! Le métro, le boulot et la vie qui va avec : ils ont tout quitté pour se réinventer. Ni retraités ni chômeurs, sont-ils vraiment plus heureux qu’avant ? Quels obstacles ont-ils rencontrés, à quoi ont-ils dû renoncer ? Ils racontent.

Sylvain Michelet

Décider de ne plus travailler, alors que règnent le chômage, la peur de perdre son poste, la course à la recherche d’emploi ? Pour nombre d’entre nous, ce serait impensable. Certains, pourtant, ont fait ce choix. Ils n’ont pas pris cette décision sur un coup de tête ni par dégoût de leur métier, mais pour adopter un autre mode de vie, se consacrer à d’autres activités parfois plus prenantes : élever des enfants, pratiquer un art, construire une maison, vivre autrement, hors du système… Combien sont-ils ? Allez savoir ! Ils se retrouvent classés, dans les statistiques françaises, parmi les quatre millions six cent mille « inactifs en âge de travailler » – femmes au foyer en grande majorité. Ni étudiants, ni retraités, ni chômeurs, ils sont définis comme « ne travaillant pas et ne cherchant pas de travail (In De moins en moins d’inactifs entre la fin des études et l’âge de la retraite, Insee première, décembre 2002) ». Tous n’étant pas rentiers ni gagnants du Loto, ils ont réduit leurs dépenses, vivent généralement avec un salaire pour deux, ou bien d’allocations diverses, ou encore en communauté, et disent s’en satisfaire. Parfois même y avoir gagné… en qualité de vie, en cohérence avec eux-mêmes.
Changer de priorités

Pourtant, aujourd’hui, travailler, c’est exister. Ainsi, « Qu’est-ce que tu fais dans la vie ? » est « la » question qui revient rituellement lors d’une première rencontre. Ces quelques mots – et le fait que chacun comprenne aussitôt qu’ils concernent le travail ! – montrent à quel point nous avons intégré l’idée que l’emploi est la source de notre identité, et la clé d’une vie autonome et épanouie. « Il ne faut surtout pas mésestimer l’intérêt de la vie en entreprise, confirme le coach et consultant Jean-Daniel Remond. Les contacts quotidiens, les réseaux, les amitiés, le partage des activités, l’impression d’être utile au sein de la société, mais aussi la rencontre avec nos limites et le plaisir qui naît à les dépasser, tout cela contribue à forger notre personnalité et, en ce sens, participe largement à la formation de notre identité. »

Ainsi, bon gré mal gré, le travail reste le terrain privilégié de l’accomplissement des potentialités et de la réalisation de soi. Selon les sondages, il constitue plus que jamais, pour les Français, la deuxième valeur après la famille (Sondage ISL, Le Monde du 24 avril 2009). Rompre avec la vie « productive » n’est pas seulement une question de moyens matériels : sur ce point, la réponse est simple (on pourra ou on ne pourra pas) – certains, comme Françoise (lire plus bas), nouvelle adepte de la décroissance, sont prêts à de grands sacrifices. La question porte avant tout sur la capacité à se construire une nouvelle identité, un nouveau moi, hors du travail.

« Je reçois plutôt des gens qui veulent changer de carrière, mais le choix d’arrêter carrément correspond à la même démarche, explique le coach Pierre Blanc-Sahnoun , auteur de L’Art de coacher (InterÉditions, 2006). Il s’agit de sortir d’un modèle culturel convenu, prescrit, pour entrer dans un processus individuel de redéfi nition de sa vie : quel genre de personne avons-nous envie d’être, que voulons-nous atteindre ou réaliser, avoir ou être, valoriser et honorer ? Cela témoigne d’une volonté de quitter une identité dominante – où le travail définit la personne – pour exprimer une identité préférée – via une activité en accord avec le sens que l’on veut donner à sa vie et les valeurs que l’on veut affirmer. On passe de l’emploi imposé à l’activité voulue. C’est donc un choix identitaire d’autant plus important qu’il provoque souvent critique et incompréhension. »
Supporter les préjugés
A lire

Remettre le travail à sa juste place de Catherine Viot et Luce Janin-Devillars
Crise, délocalisations, flexibilité… Les évolutions récentes mettent à mal nos repères. Face à ces changements, souvent subis, une journaliste et une psychanalyste nous expliquent comment reprendre les rênes de nos vies professionnelles (Hachette Pratique, 2009).

C’est surtout à travers le regard d’autrui que les problèmes surgissent, comme le note Jean-Robert face à son banquier, qui ne le voit même plus. Contre l’impression d’être devenu « transparent », la solidité du couple et le soutien des proches se révèlent déterminants. Mais pour éviter les remarques ou les critiques de leurs amis, certains se sentent contraints de prétendre qu’ils travaillent encore. D’autres, au contraire, assument d’être marginalisés au nom de leurs valeurs – ainsi Claude (lire plus bas), qui a décidé de se vouer à un homme au mépris des idées féministes. D’autres encore contre-attaquent : pour eux, beaucoup de gens travaillent par conformisme, évitant ainsi d’oeuvrer sur eux-mêmes. Outre-Atlantique, où le chômage fait rage, on est même allé jusqu’à créer un nouveau mot (funemployment) pour proclamer la volonté de profiter du « manque d’emploi » (unemployment) en vue de prendre du « bon temps » (fun). Tous insistent : s’ils ne « travaillent » plus, ils s’activent davantage, et plutôt mieux que jamais.

Expression d’une « identité préférée », réflexion sur soi-même, affirmation d’autres critères : la « valeur travail » serait-elle en danger, victime de l’aspiration au développement personnel ? Le débat reste ouvert, mais nos témoins l’ont montré, assumer sans complexe ses choix peut, malgré les difficultés, conduire à des découvertes sur soi et à un véritable renouveau.

Link: http://www.psychologies.com/Moi/Travail/Evolution/Articles-et-Dossiers/Ils-ont-choisi-de-ne-plus-travailler

Tuesday, June 28, 2011

Resoluções - Final do Mês 6

 

Terminando Junho, estou quase entrando no mês de julho e acabei resolvendo algumas coisas, mais nos hobbies, mas pelo menos fiz alguma coisa, diferente dos últimos dois meses:

 

Metas Profissionais:

- 3ds Max- Ok, utilizarei o mês de julho para praticar, estou com um projeto de reforma em casa e estou pensando em usar esse para fazer tudo o que tenho direito para treinar maquete eletronica e animação com câmera. Uma das minhas frustrações foi descobrir que mudou muito a parte de aplicação de materiais do 2010 para 2011, vou ter que pesquisar como fazer novamente.

- Curso de Maquete Eletrônica - Estou pensando que o Revit é mais adequado para fazer isso. Estou esperando a resposta de uma oferta de curso.

- Pesquisa: Capítulo 4 feito, preciso fazer o capítulo 5 e a conclusão

- Nova Pesquisa: Aceita e contrato assinado. Material praticamente todo selecionado.

- Francês: Não tem mais curso de férias para o módulo avançado. Como assim??

- Emprego: 52 dias para minhas férias! Também estou mandando currículo para assistência de arte, não tem muita coisa com cinema, mas na área de publicidade tem bastante.  

Hobby e Saúde

- Livro e monografia devidamente registrados. Minha intenção é mandar para editoras assim que tiver um tempo para fazer uma pesquisa de possíveis interessados. Se não obtiver uma resposta até o fim do ano, publicarei em um blog e colocarei um paypal.

- Essa preguiça invencível de voltar a malhar! Estou pensando em ver um estúdio de yoga que tem perto de casa.

- Diminuir bumbum: marquei uma consulta para ver a possibilidade de fazer uma hidrolipo.

- Troquei de convênio de novo! Recuperei minha dermatologista querida, mas perdi a ginecologista. Vou ter que fazer os checkups novamente.

- Mais um livro para a faculdade 2/10

- Li La Petite Fille de Monsieur Linh e Sauve-moi. 3/2

- Li La Solitudine Dei Numeri Primi. 1/3

- Adicionando mais um item a lista: Livros por diversão: 5 Livros da Série Pearcy Jackson e One Day.  Então 6/0

- Vou escolher entre Macchu Pichu e a Lipo, pelo visto.

- Ainda não me levei pra beber.

- Mais um item adicionado: filmes clássicos que preciso ver: Anna Karenina (1948), Camille (1936), City Lights (1931).

Social

- Até agora consegui sair 4 vezes. Não é muito, né?  

- Educada, minimalista, porém não monossilábica.

- Museus: Pinacoteca, Museu da Lingua Portuguesa, Museu de Arte Brasileira (exposição do Modernismo e da Gracy Kelly), CCBB (exposição do Escher). Estou pensando em assistir alguma coisa no Teatro Municipal.

- Nada de templo e ainda estou tentando visitar mais parques.

- Quando que vou sair do meu quarto? Quando?

Thursday, June 23, 2011

Camille (1936)






 

É a famosa História de Alexandre Dumas Fils, A Dama das Camélias. Eu sou suspeita para falar, pois é um dos meus livros favoritos. Como é de se esperar Greta Garbo faz o papel de Marguerite Gautier e o lindíssimo Robert Taylor faz o papel de Armand. Mais um filme de George Cukor na minha lista do fim de semana.

Para quem nunca leu o livro ou viu o filme, a história basicamente se desenvolve em volta da prostituta Camille (um nome popular para Marguerite), lindíssima e cheia de joias graças ao Barão que a visita constantemente.

Os problemas de Marguerite começam quando o jovem Armand se apaixona por ela, e aos poucos, ela acaba também se apaixonando por ele. Os pais do jovem não aprovam, ela de certa forma não aprova o fato dele estar jogando a vida fora com ela.

Marguerite vive doente, fica implícita uma tuberculose, e acaba por morrer na frente de Armand.

O estilo despojado das colegas de Marguerite, das senhoras que a acompanham, deixa o filme mais leve, apesar de ter sido escandaloso na época. A própria Garbo ri da vida de uma maneira tão leve e despreocupada que é impossível não sorrir.

É um daqueles filmes maravilhosos que giram em torno da diva.

La Solitudine Dei Numeri Primi – Paolo Giordano.




Terminei de ler esse livro há uma semana e ainda estava pensando sobre o que escrever a respeito dele. É melancólico e envolvente. Tive uma dificuldade tremenda de largar uma pagina na hora do almoço para voltar ao trabalho.

O isolamento dos dois personagens começa desde as primeiras páginas e a angústia para se encaixar nos moldes sociais das outras pessoas – como é o esperado de uma pessoa dita normal – deixam claro que os papéis são inversos. O isolamento dentro da casa é a liberdade da alma, enquanto a rua, os amigos, são prisões cujo julgamento é o olhar os outros.

Mattia é um dos personagens principais, desde pequeno ele tem a tendência a se esconder dos colegas devido a uma irmã gêmea, Michela, que é, como ele diz (em italiano, pelo menos), uma retardada. Ela baba, ela não fala, ela deixa a comida cair no meio do restaurante. Um colega convida os dois ao aniversário – a contragosto, obrigado pela mãe – e Mattia vê a chance de conquistar alguns amigos. Temendo que a presença da irmã estrague tudo, ele a deixa em um parque, com a intenção de buscá-la depois. Porém quando ele volta, ela não está mais lá. Não se sabe se ele contou aos pais que o desaparecimento da irmã é culpa sua; só se sabe que em algum ponto depois daquilo, ele passa a cortar as mãos, seja automutilação ou tentativa de suicídio.

Outra personagem é Alice, subentende-se que é rica o suficiente para ter uma empregada e para esquiar nos Alpes no inverno. Ela odeia esquiar e a figura de seu pai desde o começo parece ser invasiva e ameaçadora. Seus poucos minutos de conforto é quando se tranca no banheiro e enrola para sair, até que não tenha outro jeito. Seu pai a força a tomar leite antes de sair para esquiar. O leite a faz ter uma disenteria e com vergonha, ela fica escondida na neve, até que possa descer pela montanha sem que ninguém a veja, mas no caminho sofre um acidente. Ela fica manca e ganha uma cicatriz gigantesca na perna.

O leite, sem desconfiarmos, é um dos indícios da anorexia que Alice desenvolve. Não se sabe se desde pequena ela repudiava os alimentos ou se foi depois do acidente que começou a culpar a comida por sua condição. Ela se isola na escola. Adoraria ser como as lindas colegas, mas ela apenas se torna uma vítima de bullying ao tentar se aproximar.

Mattia vai a mesma escola e consegue involuntariamente um colega perseguidor. Esse colega secretamente tem uma grande admiração por Mattia e o deseja fervorosamente. O despertar da sexualidade das crianças de 14 e 15 anos é tratado como uma experiência para poucos privilegiados. Mattia e Alice não se sentem parte desse grupo e mesmo que acabem caindo em uma armadilha de Viola em um aniversário, eles terminam apenas como bons amigos, como cúmplices da solidão um do outro.

Alice resolve não frequentar a faculdade, descobre que é uma boa fotógrafa e foca nessa carreira. Mattia, ao contrário de Alice, gosta de exatas e faz faculdade de matemática, encontrando nos números um refugio para passar o tempo. Parece que apenas isso daria aos personagens um motivo para interagir com mundo, mas Alice em paralelo despreza ainda mais a comida, e Mattia ainda luta contra sua vontade de continuar se cortando.

Ambos parecem que se acertam aos 20 e poucos anos, imortalizando uma foto de um casamento de figurino no quarto dos pais de Alice. Em uma tradução livre, uma das frases do livro que faz com que se perceba que eles vão apenas dividir a solidão para sempre está no capítulo 21: "são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase próximos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente." É nesse ponto que se percebe que eles não vão se completar e assim, resta saber o que acontecerá com os dois.

Alice se casa com um médico, o que é espantoso até mesmo para ela. Mattia tem alguns encontros amorosos, mas nada que faça com ele saia de sua melancolia interior. Eles ainda mantém um laço forte apesar de estarem países diferentes.

A crise do casamento de Alice e seu distúrbio alimentar acabam levando ela ao hospital contra sua vontade, mas quando finalmente pensa-se que ela vai encontrar uma redenção e se submeter ao tratamento, na verdade ela vê uma moça parecida com Mattia, se comportando como criança dentro do hospital. Uma senhora a acompanha. Alice está certa que é Michela, e finalmente ela poderá libertar o amigo da culpa de ter perdido a irmã.

Mattia vem ao encontro de Alice na Itália e eles apenas passam o tempo juntos como se mais nada importasse a não ser estarem dividindo aquele momento. Alice não fala de Michela e nem do motivo de ter chamado Mattia (a crise em seu casamento). Eles passam o tempo como se fossem adolescentes novamente, fazendo tudo e absolutamente nada.

O final fica em aberto. Se realmente era Michela não é possível saber. O que fica claro é que cada um continuará levando sua vida. Sozinhos.

Wednesday, June 22, 2011

City Lights (1931)






No segundo colegial o professor Mauro, de filosofia levou Tempos Modernos do Charles Chaplin para assistirmos na escola. Eu lembro que fui a única que não dormiu e que se divertiu o filme inteiro. Acho que foi um sinal que eu estava no ramo certo, indo para o cinema, quero dizer.

Há quase 10 anos depois, resolvi assistir um dos poucos filmes do Chaplin que não tinha visto inteiro. Apesar das aulas de História do Cinema na FAAP, lembro que não tínhamos tempo de ver todos os filmes por inteiro. Acabei vendo só um pedaço e deixei pra ver o resto depois... e depois e depois...

Finalmente assisti. Pergunto-me quantas pessoas ainda conseguem ver um filme mudo e se divertir. A simplicidade do roteiro e dos movimentos de câmera me encanta, enquanto pessoas correm ao cinema ver Transformers 3 (ou 4?) eu ainda me divirto com o figurino desajeitado e as gags de Chaplin.

É só quando você realmente assiste a esses filmes que percebe o quanto à televisão foi influenciada por ele. É mais fácil perguntar qual mídia não foi influenciada. Chaves, Chapolin, os Trapalhões...

O plot da cega é inacreditável. O vagabundo é tão tocado pela moça que não consegue enxergar as próprias flores que vende  que arruma emprego para ajuda-la. Chega até a ser preso. Acho lindíssimo o final, quando ela o reconhece apenas ao tocar as mãos. O fade-out acontece no momento certo.

O final não se estende como a maioria dos filmes que vemos hoje: aquele que parece que filmaram uns 5 (ou 50 minutos) depois que a história acabou. Aliás, que final seria tão emblemático quanto a cega dizendo "Posso ver agora."

Tuesday, June 21, 2011

A Star is Born (1954)






Eu tenho algum problema com a Judy Garland. Eu gosto dela apenas em O Mágico de Oz. O rosto dela me incomoda, os olhos saltados me dão medo e eu tenho a impressão que depois de Dorothy ela só fez papel de tia.

Adoro musicais, mas nem as músicas desse conseguem me tirar a vontade de passar o filme para frente. Eu lembro que tentei assistir esse filme uma vez e acabei desligando, sem a menor vontade de continuar, mas dessa vez me esforcei para terminar.

O primeiro número musical, quando Norman Maine invade o palco bêbado é o mais divertido. As expressões de Garland são divertidíssimas e ele adiciona um carisma a mais. Novamente é uma história onde pessoas talentosas crescem (e no caso de Maine, desabam) e acabam tendo que enfrentar as consequências de serem famosas enquanto levam pra frente sua vida pessoal.

O final do filme é esperado, história de princesa sem um final feliz (ou na verdade, é um final feliz, pois o marido morre antes de se tornar um fardo maior), mas sinceramente, me incomoda muito o fato de não conseguir submergir no filme. O que eu tenho com a Judy Garland que não consigo gostar nem das coisas boas que faz?

Monday, June 20, 2011

WTF? (One Day, David Nicholls)

 

Have you ever had the sensation that someone was living your story? That your life was somehow put into words and even the quotes were the exact same at one point? While I was still reading the first chapters of One Day, by David Nicholls, I had that weird thought and suddenly a 'WTF' formed in my mind.

Even in my crisis I'm not original! A character goes through the same neurosis! And what her friend tells her is pretty much what a million people keep telling me constantly. - Okay, so Dex, wrote a huge letter that put everything together, - but the point he made was the same and even a few lines were repeated to me over and over again.

And then I sat there, reading the book and crying like crazy and that made me think: what am I doing with my life? I may not be Emma, but I am living a life that I hate, working a job that underpays me, I have pretty much the same sense of humor. I don't agree with a few of her political views, but so what? Did I want everything in the book to be like a mirror to my life? That would be freaky.

Here are a few quotes of the letter that made those three letters pop up in my mind:

"You're gorgeous, you old hag, and if i could give you just one gift ever for the rest of your life it would be this. Confidence. It would be the gift of confidence. Either that or a scented candle"

"You know what i can't understand? You have all these people telling you all the time how great you are, smart and funny and talented and all that, i mean endlessly, I've been telling you for years. So why don't you believe it? why do you think people say that stuff, Em? Do you think it's a conspiracy, people secretly ganging up to be nice about you?"

I haven't finished the book, yet. I stopped there and cried myself to sleep. Whatever happens in the book from now on at least it gave me a lot to talk to my therapist.

And I mean, A LOT.

Clássicos do Cinema / Anna Karenina (1948)

 

Tinha alguns filmes clássicos, alguns de DIVAS, que nunca tinha visto.  O objetivo dos fins de semana está sendo assistir pelo menos a um deles.

Na semana passada assisti Anna Karenina e, essa semana, assisti A Star is Born, City Lights e Camille.

Vou voltar um pouco àquela época em que postava umas críticas. Tenho saudade de escrever um pouco sobre temas que gosto.

 

ANNA KARENINA (1948)

A parte divertida de ver um filme depois que se leu o livro é ver todas as adaptações para suavizar algumas partes censuráveis da época. Dizem que é a melhor adaptação do romance. Eu não vi a versão com a Greta Garbo ainda, então não posso dizer.

A história é aquela que conhecemos. Anna Karenina é casada e tem um pequeno filho, ela abandona tudo para ficar com um jovem militar, mas a pressão da sociedade da época faz com que ela duvide que apenas o amor seja o suficiente para sobreviver. Sem poder ver o filho, sua única saída está nos trilhos do trem. Julien Duvivier é o diretor do filme e está entre os diretores franceses que faziam sucesso na época.

O que gostei no filme foi a câmera, que passeia pelos cômodos e pela atriz como se fosse um pó de arroz. Destaca-se todos os seus pontos fortes. É um filme elegante. Acho interessante como a atriz é bastante expressiva, apesar dos movimentos restritos. Ela não tem aquele exagero das divas da época, aquele truque básico de drama queen, o rosto dela diz tudo, até com a boca fechada.

A personagem tem uma personalidade obscura e paranoica, principalmente no final. Não sei se essa obscuridade combinou com Vivien Leigh, mas com certeza ela consegue provocar um ou dois calafrios. Não sei se é a atriz, ou a própria história do Tolstói, mas existe alguma coisa perturbante nos últimos 10 minutos.
 
 

Reflexões da Segunda Feira

 

Mais um fim de semana jogado as traças na frente na TV e do PC. A sexta-feira começa cheia de planos: vou ao cinema, vou ao museu, vou conhecer aquele parque estou prometendo desde janeiro... Durmo cansada, mas feliz da vida porque no dia seguinte não tenho que trabalhar. Porém, acordo para ir ao curso de francês no sábado e por mais que adore o transito que pego pra ir e pra voltar me deixa num mau humor desgraçado.

As frustrações do sábado não param aí. Geralmente não consigo almoçar o que quero. Ou porque é caro ou porque simplesmente não tem o que comer em casa. O que leva a segunda rotina chata do fim de semana: mercado. Por que me iludo e sempre acho que vou comprar produtos diferentes? Eu até olho o que é possível levar, mas ou o preço é exorbitante ou a quantidade de gordura saturada me faz perder a vontade de levar (para quem não sabe, não compro nada que tenha mais que 1g de gorduras totais por porção).

Chego em casa e não aguento a bagunça que está meu quarto. Levo mais ou menos uma hora arrumando as roupas e passando Ecobril nos móveis e desinfetantes no chão. Eu não ia desenhar hoje? Ah... mas ainda tenho que lavar o cabelo. Enquanto o cabelo seca me contento com um Miojo e um número de algum musical (esse fim de semana foi The Book of Mormon). De pijama, lá pelas 19hs não estou a fim de fazer nada e durmo até as 9hs do dia seguinte.

No domingo eu acordo tão revoltada que no dia seguinte é segunda-feira que passo o dia todo de pijama. O momento mais diferente é quando levo um livro para ler ao sol (quando tem sol) e a Annabel traz a bolinha pra brincar. Não tenho vontade de nada, nem de sair, nem de dormir, nem de cozinhar algo diferente. No domingo eu só existo. Ando de um lado para o outro, ansiosa e me controlando para não atacar a geladeira. Eu não tinha que fazer alguma coisa, hoje? Bom seja o que for, não tô a fim.

O mais produtivo foi um filme de 1936 que nunca tinha visto. Comentei que me sinto culpada por não conhecer alguns filmes que todos conhecem? E é nesse ponto que paro e lembro  tudo o que queria fazer quando tivesse essa idade. De tudo que planejava há uns 4 anos atrás.

E é o momento de maior desespero porque vejo que estou me afastando de tudo de idealizei. Cadê meu trabalho com arte? Cadê os freelas que iam me salvar dessa rotina massacrante de normas e cálculos de obras? A arquitetura era para ser o plano B e de repente virou o plano A. Cadê meu mestrado lá na Itália? Minha vaga está guardada, mas e o dinheiro para me manter lá? Ah sim, é por isso que estou nesse emprego que detesto...

Não quero passar a vida reclamando e nada me impede de pedir as contas hoje, mas por que não faço isso? Por que não vou atrás de alguma coisa que pague um pouco mais? Existe um plano e ao final da faculdade eu vou ter como sair daqui, mas por que tenho essa sensação que estou correndo atrás do próprio rabo?
Não sei, sei que espero não estar dizendo a mesma coisa na segunda-feira que vem (e sei que provavelmente vou estar).

Friday, June 03, 2011

Yasmin


Assim que acordei ontem de manhã fui ler o jornal enquanto tomava café; como sempre faço. Uma matéria na Folha me chamou a atenção pelo título http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/924028-eua-avaliam-risco-de-trombose-por-uso-de-anticoncepcional.shtml e fui ver se tinha a ver com o anticoncepcional que eu tomo. E tem. Tomo o Yasmin há 5 anos e apesar de matéria não pretendo parar. Explico.
 
Estou desde os meus 20 anos procurando um médico que aceite remover meu útero. Não estou falando em laqueadura (nem essa eles fazem!), quero remover mesmo. Xô coisa! Pelo menos não pelos métodos seguros, em hospital, com anestesista, com CRM... Eles sempre alegam que posso mudar de ideia, que é uma decisão irreversível, que preciso de aconselhamento psicológico. A questão é: estou indo para o 5° ano de psicoterapia também e a única coisa que mais tenho certeza é que não quero ter filhos. Nem discuto minha certeza quando dizem "mas você pode mudar de ideia." minha resposta geralmente é "existem muitas crianças para serem adotadas.".
 
Adoção é outro tema polêmico. Por que muitas pessoas têm filhos e não adotam? Tudo bem que existe a questão do histórico genético, a certeza das doenças que aquela criança pode vir a ter quando crescer, mas ainda sim é uma atitude muito corajosa e deveria ser mais virtuosa do que ter os próprios filhos.
 
Eu também vi uma reportagem tosquinha na TPM http://revistatpm.uol.com.br/revista/107/reportagens/filhos-nao-obrigada.html que me deixou um pouco agitada. Quando se escolher que não se quer ter filhos a pressão social e os preconceitos borbulham por todos os lados.
 
Por que as pessoas tem tanta dificuldade em entender e respeitar a decisão dos outros? Pode até ser um choque para quem cresceu brincando de boneca, mas quem fez a escolha é o outro e não você! O que a decisão dessa pessoa vai mudar na sua vida? Respeite e deixe passar.
 
Infelizmente os valores morais que a igreja católica fertilizou aqui na América Latina desde a colonização ainda são seguidos sem questionamentos. Não é uma questão de por em cheque a religião, mas quando os únicos parâmetros que as pessoas seguem parar fomentar preconceitos foram originados há mais de 500 anos, as pessoas deveriam se tornar menos cegas.
 
A Graça da Concepção ainda soa muito virtuoso para quem só precisa abrir as pernas.
 
Voltando a questão principal: muitos médicos se recusam (por crença própria ou por códigos éticos) a retirar um útero perfeitamente saudável, por mais que essa pessoa tenha histórico de câncer na família, por mais que essa pessoa sofra arduamente com ovários policísticos, por mais que essa pessoa não queria ter filhos.
 
Retirar o útero é a solução mais eficaz contra a gravidez (sim, abstinência também, mas nada impede que um estuprador te ataque e um juiz religioso não queira deixar você abortar.) e o único jeito de fazer a mulherada parar de arriscar a saúde com hormônios que podem ter graves consequências no futuro.
 
Quando se é diferente e os médicos não ajudam, o único jeito é continuar tomando Yasmin, porque para algumas pessoas ter trombose ainda é melhor do que ter filhos.