Monday, June 20, 2011

Reflexões da Segunda Feira

 

Mais um fim de semana jogado as traças na frente na TV e do PC. A sexta-feira começa cheia de planos: vou ao cinema, vou ao museu, vou conhecer aquele parque estou prometendo desde janeiro... Durmo cansada, mas feliz da vida porque no dia seguinte não tenho que trabalhar. Porém, acordo para ir ao curso de francês no sábado e por mais que adore o transito que pego pra ir e pra voltar me deixa num mau humor desgraçado.

As frustrações do sábado não param aí. Geralmente não consigo almoçar o que quero. Ou porque é caro ou porque simplesmente não tem o que comer em casa. O que leva a segunda rotina chata do fim de semana: mercado. Por que me iludo e sempre acho que vou comprar produtos diferentes? Eu até olho o que é possível levar, mas ou o preço é exorbitante ou a quantidade de gordura saturada me faz perder a vontade de levar (para quem não sabe, não compro nada que tenha mais que 1g de gorduras totais por porção).

Chego em casa e não aguento a bagunça que está meu quarto. Levo mais ou menos uma hora arrumando as roupas e passando Ecobril nos móveis e desinfetantes no chão. Eu não ia desenhar hoje? Ah... mas ainda tenho que lavar o cabelo. Enquanto o cabelo seca me contento com um Miojo e um número de algum musical (esse fim de semana foi The Book of Mormon). De pijama, lá pelas 19hs não estou a fim de fazer nada e durmo até as 9hs do dia seguinte.

No domingo eu acordo tão revoltada que no dia seguinte é segunda-feira que passo o dia todo de pijama. O momento mais diferente é quando levo um livro para ler ao sol (quando tem sol) e a Annabel traz a bolinha pra brincar. Não tenho vontade de nada, nem de sair, nem de dormir, nem de cozinhar algo diferente. No domingo eu só existo. Ando de um lado para o outro, ansiosa e me controlando para não atacar a geladeira. Eu não tinha que fazer alguma coisa, hoje? Bom seja o que for, não tô a fim.

O mais produtivo foi um filme de 1936 que nunca tinha visto. Comentei que me sinto culpada por não conhecer alguns filmes que todos conhecem? E é nesse ponto que paro e lembro  tudo o que queria fazer quando tivesse essa idade. De tudo que planejava há uns 4 anos atrás.

E é o momento de maior desespero porque vejo que estou me afastando de tudo de idealizei. Cadê meu trabalho com arte? Cadê os freelas que iam me salvar dessa rotina massacrante de normas e cálculos de obras? A arquitetura era para ser o plano B e de repente virou o plano A. Cadê meu mestrado lá na Itália? Minha vaga está guardada, mas e o dinheiro para me manter lá? Ah sim, é por isso que estou nesse emprego que detesto...

Não quero passar a vida reclamando e nada me impede de pedir as contas hoje, mas por que não faço isso? Por que não vou atrás de alguma coisa que pague um pouco mais? Existe um plano e ao final da faculdade eu vou ter como sair daqui, mas por que tenho essa sensação que estou correndo atrás do próprio rabo?
Não sei, sei que espero não estar dizendo a mesma coisa na segunda-feira que vem (e sei que provavelmente vou estar).

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