Friday, June 03, 2011

Yasmin


Assim que acordei ontem de manhã fui ler o jornal enquanto tomava café; como sempre faço. Uma matéria na Folha me chamou a atenção pelo título http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/924028-eua-avaliam-risco-de-trombose-por-uso-de-anticoncepcional.shtml e fui ver se tinha a ver com o anticoncepcional que eu tomo. E tem. Tomo o Yasmin há 5 anos e apesar de matéria não pretendo parar. Explico.
 
Estou desde os meus 20 anos procurando um médico que aceite remover meu útero. Não estou falando em laqueadura (nem essa eles fazem!), quero remover mesmo. Xô coisa! Pelo menos não pelos métodos seguros, em hospital, com anestesista, com CRM... Eles sempre alegam que posso mudar de ideia, que é uma decisão irreversível, que preciso de aconselhamento psicológico. A questão é: estou indo para o 5° ano de psicoterapia também e a única coisa que mais tenho certeza é que não quero ter filhos. Nem discuto minha certeza quando dizem "mas você pode mudar de ideia." minha resposta geralmente é "existem muitas crianças para serem adotadas.".
 
Adoção é outro tema polêmico. Por que muitas pessoas têm filhos e não adotam? Tudo bem que existe a questão do histórico genético, a certeza das doenças que aquela criança pode vir a ter quando crescer, mas ainda sim é uma atitude muito corajosa e deveria ser mais virtuosa do que ter os próprios filhos.
 
Eu também vi uma reportagem tosquinha na TPM http://revistatpm.uol.com.br/revista/107/reportagens/filhos-nao-obrigada.html que me deixou um pouco agitada. Quando se escolher que não se quer ter filhos a pressão social e os preconceitos borbulham por todos os lados.
 
Por que as pessoas tem tanta dificuldade em entender e respeitar a decisão dos outros? Pode até ser um choque para quem cresceu brincando de boneca, mas quem fez a escolha é o outro e não você! O que a decisão dessa pessoa vai mudar na sua vida? Respeite e deixe passar.
 
Infelizmente os valores morais que a igreja católica fertilizou aqui na América Latina desde a colonização ainda são seguidos sem questionamentos. Não é uma questão de por em cheque a religião, mas quando os únicos parâmetros que as pessoas seguem parar fomentar preconceitos foram originados há mais de 500 anos, as pessoas deveriam se tornar menos cegas.
 
A Graça da Concepção ainda soa muito virtuoso para quem só precisa abrir as pernas.
 
Voltando a questão principal: muitos médicos se recusam (por crença própria ou por códigos éticos) a retirar um útero perfeitamente saudável, por mais que essa pessoa tenha histórico de câncer na família, por mais que essa pessoa sofra arduamente com ovários policísticos, por mais que essa pessoa não queria ter filhos.
 
Retirar o útero é a solução mais eficaz contra a gravidez (sim, abstinência também, mas nada impede que um estuprador te ataque e um juiz religioso não queira deixar você abortar.) e o único jeito de fazer a mulherada parar de arriscar a saúde com hormônios que podem ter graves consequências no futuro.
 
Quando se é diferente e os médicos não ajudam, o único jeito é continuar tomando Yasmin, porque para algumas pessoas ter trombose ainda é melhor do que ter filhos.
 
 

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