Wednesday, December 26, 2012

Metas de 2013


2012 foi bom demais, inclusive foi o melhor ano da minha vida. Aliás, espero que tenha sido o primeiro dos melhores anos da minha vida. 

Em 2013 eu preciso focar um pouco mais na minha carreira, principalmente porque o inevitável acontecerá: vou me formar. Na verdade, eu preciso desenvolver um pouquinho de auto-confiança pra conseguir algo bacana e controlar meu desespero que faz tomar decisões de uma vida que duram 5 minutos. 

Acho que vou tentar a vida assalariada novamente, pelo menos até ter garantias para poder assumir algumas contas (casa, carro, talvez uma viagem). Vou usar o trabalho autônomo como bico, para render uns extras no fim do mês. 

Coisas para focar: 

- Curso de Revit.
- TCC

Objetivo do ano: salário de 5 mil. 

E coisitas para fazer:

- Conhecer o templo Zu-Lai!
- Voltarei a freqüentar o cinema no centro da cidade, estou com saudades dos filmes não-blockbusters. 
- Terminar Eastville.
- Namorar muuuuuuuuuuuuuito.


Wednesday, November 07, 2012

Pondé para a Folha 05/11/12

"Não existiria filosofia se nossos patriarcas, de Platão a Nietzsche (para citar dois grandes), tivessem que preencher o Lattes, fazer relatórios Capes ou serem "produtivos". Todos seriam o que, aos poucos, nos transformamos: burocratas mudos da própria irrelevância. Analfabetos do pensamento. Uma das formas de sobreviver a este processo de produtividade de massa é obrigar nossos alunos a pesquisar aquilo que não querem, de uma forma que não querem, a fim de garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Esmagamos a criatividade e as intenções dos alunos fazendo deles uma infantaria estatística. A universidade mente: quer formar rebanhos dizendo que defende a liberdade de pensamento." Pondé. Leiam: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1180196-o-filosofo-do-martelo-na-academia.shtml

A Vergonha da Dúvida

Em um meio familiar nunca tive problemas para expressar minhas contestações quanto a ética e a moral que tanto pesa à mesa de jantar durante as raras reuniões quando todos conseguem sentar e conversar sem olhar para a TV ou para o celular. Geralmente, o assunto do debate é instigado por uma reportagem superficial do Jornal Nacional. Nunca tive ‘papas na língua’, como diz minha mãe. Discordo de alianças entre líderes da igreja e políticos, discordo da politica de segurança do estado de são paulo e acredito que essa ‘matança’ que está acontecendo nos últimos meses não passa de uma distração para algo muito maior, algo que nem imaginamos. Sempre gostei de discutir religião, mas não discuto com o mesmo fervor que discuto em uma roda de amigos. Pais evangélicos, filha agnóstica, resulta em um silêncio incômodo na maior parte das vezes. A grande novidade nesse âmbito está sendo os questionamentos daqueles que estão começando a me conhecer agora. Tenho pessoas que gosto muito e que quero que permaneçam comigo, mas a barreira da ética familiar (sempre influenciada por algum pastor em algum lugar) fazem surgir perguntas que antes eu tirava de letra: ‘você se dá bem com seus pais?’ - resposta normal: ‘não, não temos muito em comum.’ reposta atual: ‘er... sim, só que não conversamos muito.’ pergunta: ‘você conversa com sua irmã?’ resposta normal: ‘pra quê? Só nos criticamos e nos estressamos se ficamos perto.’ resposta atual. ‘Não nos vemos com frequência.’.‘Você gostou de Até que a Sorte nos Separe?’ ‘Não perco meu tempo nem meu dinheiro com filmes esdrúxulos.’ ‘Er.... não assisti ainda.’ E do nada escuto coisas como: Você é muito fria! Você não ficaria feliz em um casamento?, Não quer ter filhos, coisa nenhuma!, Uma casa bem decorada tem toalhinhas de crochê debaixo dos vasos da estante. De repente estou em uma posição na qual fico com vergonha de expressar minhas opiniões. Estou com vergonha de ter dúvidas quanto as‘normalidades da vida.’ Você tem que se dar bem com os pais, com a irmã, rezar, casar, ter filhos e seguir uma vida Doriana até a sepultura – yuuhu! rumo a vida eterna! Vai chegar um momento no qual vou poder revelar minhas dúvidas – não quero ser arrastada para a igreja, posso ser uma pessoa boa sem acreditar, cacete! Cometi algum crime por isso? Eu quero celebrar minha união com a pessoa certa, que me apareceu e deixou loucamente apaixonada, mas sem pressões, tudo ao seu tempo, fazendo as coisas conforme sinto que é certo e não conforme os padrões sociais (ou os pastores) mandam.

Thursday, September 13, 2012

O Tango de Tibério e Lola

ADORO O PONDÉ

Luiz Felipe Ponde

O texto abaixo contém um Erramos, clique aqui 41542-erramos.shtml para
conferir a correção na versão eletrônica da Folha de S.Paulo

O tango de Tibério e Lola

Estavam dançando um tango: quando ele ia, ela recuava, quando ele
recuava, ela vinha

O amor é um tango. Hoje vou contar uma história de amor que ouvi de
alguém esses dias. Esta história é real e nos faz pensar, afinal, quem
somos nós.

Tibério era um jovem promissor. De boa família e com bons
antecedentes, era visto como alguém inteligente, vivo e alegre. Vivia
sua vida, numa casa de classe A, quando, numa noite de calor, viu
alguém chegar à vizinhança. Loira, naquela idade que as avós chamavam
de menina-moça, mesmo que ainda novinha, já se mostrava pronta para um
investimento erótico.

Lola passeava pela vizinhança, livre e senhora de si, como são as
fêmeas da espécie quando seguras de sua beleza e de seu charme. Para o
coração do jovem Tibério, aquilo foi demais.

Ficou obcecado por Lola. Tentou voltar para sua vida pré-Lola, mas não
adiantou. Nada do que tinha fazia mais sentido, pensava naquela jovem
loira todo o tempo. Ficava parado olhando para parede, como se sua
casa, sua vida e seus objetos de valor tivessem se esvaziado de
sentido. Se Tibério soubesse filosofia, diria que a vida perdera o
significado.

Ele era ainda virgem. No fundo da alma, se envergonhava disso e
preferia que este fato permanecesse em segredo.

Mas, de repente, tomou uma decisão e resolveu abordar a bela e
irresistível Lola, a loira arrasadora do "cartier", como dizem os
franceses. Quem sabe, pensou Tibério no silêncio de sua alma, ela
fosse, ainda que jovem e virgem, uma loira devassa em potencial? Pelo
caminhar dela, balançando, ainda que discretamente, as promissoras
ancas, ele pensou que tinha alguma chance.

Chegou perto e tentou falar com ela. Nada. Aquele olhar de desprezo
que só fêmeas lindas da espécie sabem dar quando percebem que algum
jovem candidato está por perto. Mas, percebia Tibério, Lola o olhava
pelo canto dos olhos.

Tibério tinha razão. Ela estava dando sinais de interesse.
Aproximou-se e tentou chegar bem pertinho. Lola, literalmente rosnou
para ele. De primeira, Tibério temeu que ela o fosse morder de fato.

Tibério correu para casa, temeroso. Mas o desejo era grande, e Lola
seguramente o olhava de longe, com olhos doces. Todos os seus genes
ancestrais diziam: "Tibério, vá fundo, cara!".

O jovem voltou à carga. Pensou naquilo que todo macho pensa: "Ela quer
um presente!". Não tinha nada à mão e, infelizmente, dependia da sua
família para ir a um shopping, portanto teve uma ideia desesperada:
"Vou dar para ela o que eu mais gosto e assim ela vai ver que eu quero
muito ficar com ela".

Correu e pegou um objeto (pouco importa o que era, mas sim o valor que
tinha para ele; de longe alguém diria que não passava de uma bola).
Colocou carinhosamente o objeto diante da bela Lola. Ela, de novo,
desprezou o infeliz Werther. Recuou. De longe, de novo, percebeu o
discreto sorriso da bela Lola. Ela estava mesmo dançando um tango com
ele: quando ele ia, ela recuava, quando ele recuava, ela vinha.

Uma dor grande se apoderou do pobre coração apaixonado. Mas, de novo,
seus genes clamavam pela jovem Lola. Decidiu fazer-se de macho
poderoso do pedaço e se aproximou confiante.

De repente, assim como quem ia roubar um beijo e um abraço, Tibério
tentou se apossar de Lola. Ela, agora sem dúvida nenhuma, rosnou e o
mordeu sem pena.

Tibério fugiu humilhado. Perdido, tentou comer alguma coisa. Mas, de
novo tomado pelo amor, pensou se Lola não o aceitaria em troca de sua
comida importada, mesmo que por um segundo tivesse pensado que aquilo
não eram modos de abordar uma dama fina como Lola.

Docemente, ele empurrou a comida para ela. Lola comeu a comida dele e
virou de costas. Tibério ficou arrasado e sentou-se, triste, enquanto
a contemplava pela porta de vidro. Lola olhou para ele e ensaiou um
sorriso, mas não adiantou. Tibério já estava triste e adormeceu. No
dia seguinte, à mesma hora que Lola chegara, reconhecendo o carro,
correu para o porta-malas para ver se a bela Lola voltara. Mas não.

Alguém perguntará: como uma bela dama pode vir num porta-malas?
Simples: basta ela ser uma golden retriever, e ele, um border collie.

Sim, o amor é um tango, seja entre humanos, seja entre cães.

ponde.folha@uol.com.br

Pondé

Texto do Pondé de 14/05/2012

Luiz Felipe Pondé

A traição da psicologia social

Antes, eram as esferas celestes, agora, são as esferas sociais as
culpadas por roubarmos os outros

Olha que pérola para começar sua semana: "Esta é a grande tolice do
mundo, a de que quando vai mal nossa fortuna -muitas vezes como
resultado de nosso próprio comportamento-, culpamos pelos nossos
desastres o Sol, a Luz e as estrelas, como se fôssemos vilões por
fatalidade, tolos por compulsão celeste, safados, ladrões e traidores
por predominância das esferas, bêbados, mentirosos e adúlteros por
obediência forçada a influências planetárias". William Shakespeare,
"Rei Lear", ato 1, cena 2 (tradução de Barbara Heliodora).

Os psicólogos sociais deveriam ler mais Shakespeare e menos estas
cartilhas fanáticas que dizem que o "ser humano é uma construção
social", e não um ser livre responsável por suas escolhas, já que
seriam vítimas sociais. Os fanáticos culpam a sociedade, assim como na
época de Shakespeare os mentirosos culpavam o Sol e a Lua.

Não quero dizer que não sejamos influenciados pela sociedade, assim
como somos pelo peso de nossos corpos, mas a liberdade nunca se deu no
vácuo de limites sociais, biológicos e psíquicos. Só os mentirosos, do
passado e do presente, negam que sejamos responsáveis por nossas
escolhas.

Mas antes, um pouco de contexto para você entender o que eu quero dizer.

Outro dia, dois sujeitos tentaram assaltar a padaria da esquina da
minha casa. Um dos donos pegou um dos bandidos. Dei parabéns para ele.
Mas há quem discorde. Muita gente acha que ladrão que rouba mulheres e
homens indo para o trabalho rouba porque é vítima social. Tadinho
dele...

Isso é papo-furado, mas alguns acham que esse papo-furado é ciência,
mais exatamente, psicologia social. Nada tenho contra a psicologia, ao
contrário, ela é um dos meus amores -ao lado da filosofia, da
literatura e do cinema. Mas a psicologia social, contra quem nada
tenho a priori, às vezes exagera na dose.

O primeiro exagero é o modo como a psicologia social tenta ser a
única a dizer a verdade sobre o ser humano, contaminando os alunos.
Afora os órgãos de classe. Claro, a psicologia social feita desta
forma é pura patrulha ideológica do tipo: "Você acredita no Foucault?
Não?! Fogueira para você!".

Mas até aí, este pecado de fazer bullying com quem discorda de você é
uma prática comum na universidade (principalmente por parte daqueles
que se julgam do lado do "bem"), não é um pecado único do clero
fanático desta forma de psicologia social. Digo "desta forma" porque
existem outras formas mais interessantes e pretendo fazer indicação de
uma delas abaixo.

Sumariamente, a forma de psicologia social da qual discordo é a
seguinte: o sujeito é "construído" socialmente, logo, quem faz
besteira ou erra na vida (comete crimes ou é infeliz e incapaz) o faz
porque é vítima social. Se prestar atenção na citação acima, verá que
esta "construção social do sujeito" está exatamente no lugar do que
Shakespeare diz quando se refere às "esferas celestes" como
responsáveis por nossos atos.

Antes, eram as esferas celestes, agora, são as esferas sociais as
culpadas por roubarmos os outros, ou não trabalharmos ou sermos
infelizes. Se eu roubo você, você é que é culpado, e não eu, coitado
de mim, sua real vítima. Teorias como estas deveriam ser jogadas na
lata de lixo, se não pela falsidade delas, pelo menos pelo seu
ridículo.

Todos (principalmente os profissionais da área) deveriam ler Theodore
Dalrymple e seu magnífico "Life at The Bottom, The Worldview that
Makes the Underclass", editora Ivan R. Dee, Chicago (a vida de baixo,
a visão de mundo da classe baixa), em vez do blá-blá-blá de sempre de
que somos construídos socialmente e, portanto, não responsáveis por
nossos atos.

Dalrymple, psiquiatra inglês que atuou por décadas em hospitais dos
bairros miseráveis de Londres e na África, descreve como a teoria da
construção do sujeito como vítimas sociais faz das pessoas
preguiçosas, perversas e mentirosas sobre a motivação de seus atos.
Lendo-o, vemos que existe vida inteligente entre aqueles que atuam em
psicologia social, para além da vitimização social que faz de nós
todos uns retardados morais.

ponde.folha@uol.com.br

Monday, September 10, 2012

Ladrões Preguiçosos

Depois de tanto tempo afastada do blog, retorno para tocar em um ponto
que parece promessa de campanha eleitoral.

Ontem assisti a matéria do Fantástico (desculpem pela fonte chula)
sobre penalizações com prisão para crimes de trânsito. Não quero
comentar as punições em si, se estão certas ou erradas, fica para a
próxima. Quando ouvia a reportagem eu apenas pensava em uma coisa:
superlotação das cadeias. Aliás, pensava em duas coisas: maldito seja
quem inventou a redução das penas por 'bom comportamento'.

Não acredito que alguém possa ser 'reabilitado' para a vida social
depois de cometer um crime grave como assassinato, estupro e/ou
tortura. Porquê soltar um individuo desses depois de 30 anos? Ou
depois de 4 anos?

Ah sim, porque as cadeias estão superlotadas. Ora essas... mas será
que vale a pena ser preso?

Vamos pensar como um ladrão. Ainda não engoli aquele assalto na minha
residência há três anos. Vale muito a pena assaltar uma casa de alto
padrão. Arrastões em apartamentos de luxo, então, valem a pena ao
quadrado. Nós, pessoas honestas, trabalhamos por anos para conseguir
comprar um carro, uma casa, um microondas e até pegar internet para
postar umas besteiras no facebook. Um dia, quatro pessoas entram na
sua casa e levam tudo o que você demorou uma vida inteira para juntar.
Em uma hora e meia, conseguem quase 60 mil em 'mercadoria'. Que
salário fantástico! Se duvidar nem os políticos do mensalão
conseguiram um feito desses.

Lógico que até hoje não consegui recuperar o levaram. Minha conta está
no vermelho há anos, com prestações do carro que levaram e que o
seguro não pagou, devendo juros absurdos cada vez mais.

Eis que vem a pergunta: ladrão sabe o que é trabalhar há por anos para
conseguir alguma coisa? Se vão presos (como não é o caso dos ladrões
que entraram em casa) eles ficam anos sentadinhos em uma cela,
comendo, bebendo e tomando banho às custas dos impostos que pagamos.
Para comer, beber (mercado, 500,00 por mês) e tomar banho (100,00 de
conta de água e 200,00 de luz para a água aquecida) eu gasto uma
fortuna. Se economizasse isso no mês, conseguiria pagar as prestações
do carro que me roubaram.

A punição não deveria ficar preso em circunstâncias degradantes (o que
apenas acumula a raiva), a punição deveria ser trabalhar. Trabalhar
muito. Precisa de mão de obra (gratuita!) para baratear o custo de uma
ferrovia? Leva os presos para martelarem. Precisa de matéria prima
para asfatar as vias esburacadas? Coloca os presos pra quebrar pedra
no braço! Não precisa de chicotadas, precisa de chefe. Precisa suar
para pagar o pão.

Ninguém tem medo de ir preso. Prisão é férias e um local para
networking. Essas pragas tem medo de trabalhar. Queria ver o índice de
criminalidade aumentar com uma proposta política dessas.

Teste

Vamos testar como está esse negócio de mandar post por email.

Wednesday, September 05, 2012

Um convite especial

facebook
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Monday, February 06, 2012

Rainha encara vida de chatice eterna com graça e dignidade

BARBARA GANCIA
COLUNISTA DA FOLHA
São 60 anos de gloriosa torração de pacovás. Alguém tem noção do que isso significa? Desde o momento em que seu tio, o inconsequente Eduardo 8º, abdicou do trono para casar com uma divorciada, a então princesa Elizabeth foi condenada a viver uma vida de chatice eterna. E o feitiço se cumpriu.

Papas também levam vidas reclusas e assaz entediantes. Digamos que, excluindo um ou dois tipos como o dalai-lama e o Aga Khan, eles não encontram muita gente com quem parlamentar.

Mas ao menos o papa teve a chance de optar. Ele poderia ter sido carteiro se quisesse. Mudasse de ideia na hora da fumacinha branca, ele poderia sair-se com algum achado do tipo "vou ali comprar um bicho de pé e já volto".

O mesmo se aplica a Michael Jackson e outros artistas mirins condenados a viver uma vida inteira de aporrinhação. Embora se sacrifiquem, eles se regozijam no talento, no prazer de fazer algo que nenhum de nós faz.

Que se saiba, Elizabeth 2ª não possui nenhum predicado que a torne singular além do berço esplêndido. Nesses anos todos, ninguém a pescou fazendo nada de extraordinário. A constância de sua mesmice parece ser sua maior virtude. A rainha nunca chama a atenção, nunca faz banzé. Só está lá, com graça e dignidade, para reassegurar a instituição e seus súditos.

Há 60 anos, Elizabeth jogou pela janela todas aquelas microglórias que nós conhecemos por pequenos prazeres da vida. Hoje nem tanto, mas aos 25 anos, a idade que tinha quando ascendeu ao trono, deve ter sido duro abdicar de certos deleites.

Quem sabe na época ela teria trocado os condados de Surrey e Sussex por um piquenique no Hyde Park, uma dança com o cara errado, uma happy hour no pub, uma compra de impulso na Selfridge's, um passe do metrô de Londres. Ou por vestir um decote mais ousado.

Mas não. Elizabeth é única. Nem as outras rainhas da Europa têm qualquer coisa a ver com ela. Nenhuma é chefe da igreja, toma conta da Commonwealth ou é a mulher mais famosa do mundo.

Para tentar dar sentido ao seu universo maluco, a rainha passou a encarar o cargo como missão divina. Ao mesmo tempo, trata de desmitificar o trabalho. Considera-se nada mais do que uma funcionária pública: "Quando não precisarem mais de nós, faremos as malas e iremos".

Mas, enquanto esse dia não vem -e lá vão 60 anos esperando-, ela trata de remendar, com grande êxito segundo as pesquisas, o estrago de relações públicas causado pela nora, Diana -os filmes "A Rainha" e "O Discurso do Rei" certamente tiveram algo mais que apenas apoio moral do palácio real.

Craque em novas mídias (já admitiu passar horas diante do micro todo dia), ela continua comendo ovos mexidos no escritório anexo ao quarto no Palácio de Buckingham e fazendo as palavras cruzadas do "Daily Telegraph".

Ultimamente, sua maior preocupação é a saúde do príncipe Philip, recentemente hospitalizado. É difícil prever quanto do jubileu ela irá conseguir aproveitar sem a presença do marido.