Wednesday, November 07, 2012

A Vergonha da Dúvida

Em um meio familiar nunca tive problemas para expressar minhas contestações quanto a ética e a moral que tanto pesa à mesa de jantar durante as raras reuniões quando todos conseguem sentar e conversar sem olhar para a TV ou para o celular. Geralmente, o assunto do debate é instigado por uma reportagem superficial do Jornal Nacional. Nunca tive ‘papas na língua’, como diz minha mãe. Discordo de alianças entre líderes da igreja e políticos, discordo da politica de segurança do estado de são paulo e acredito que essa ‘matança’ que está acontecendo nos últimos meses não passa de uma distração para algo muito maior, algo que nem imaginamos. Sempre gostei de discutir religião, mas não discuto com o mesmo fervor que discuto em uma roda de amigos. Pais evangélicos, filha agnóstica, resulta em um silêncio incômodo na maior parte das vezes. A grande novidade nesse âmbito está sendo os questionamentos daqueles que estão começando a me conhecer agora. Tenho pessoas que gosto muito e que quero que permaneçam comigo, mas a barreira da ética familiar (sempre influenciada por algum pastor em algum lugar) fazem surgir perguntas que antes eu tirava de letra: ‘você se dá bem com seus pais?’ - resposta normal: ‘não, não temos muito em comum.’ reposta atual: ‘er... sim, só que não conversamos muito.’ pergunta: ‘você conversa com sua irmã?’ resposta normal: ‘pra quê? Só nos criticamos e nos estressamos se ficamos perto.’ resposta atual. ‘Não nos vemos com frequência.’.‘Você gostou de Até que a Sorte nos Separe?’ ‘Não perco meu tempo nem meu dinheiro com filmes esdrúxulos.’ ‘Er.... não assisti ainda.’ E do nada escuto coisas como: Você é muito fria! Você não ficaria feliz em um casamento?, Não quer ter filhos, coisa nenhuma!, Uma casa bem decorada tem toalhinhas de crochê debaixo dos vasos da estante. De repente estou em uma posição na qual fico com vergonha de expressar minhas opiniões. Estou com vergonha de ter dúvidas quanto as‘normalidades da vida.’ Você tem que se dar bem com os pais, com a irmã, rezar, casar, ter filhos e seguir uma vida Doriana até a sepultura – yuuhu! rumo a vida eterna! Vai chegar um momento no qual vou poder revelar minhas dúvidas – não quero ser arrastada para a igreja, posso ser uma pessoa boa sem acreditar, cacete! Cometi algum crime por isso? Eu quero celebrar minha união com a pessoa certa, que me apareceu e deixou loucamente apaixonada, mas sem pressões, tudo ao seu tempo, fazendo as coisas conforme sinto que é certo e não conforme os padrões sociais (ou os pastores) mandam.

2 comments:

Ednilson said...

Amén a isso, nee-chan! Qual o problema? ^^

Essa pessoa que você sempre foi, e a pessoa que tá descobrindo que pode ser também, nunca houve nada de errado com ela, até onde deu pra ver. E vc sempre fez as coisas no seu tempo.

Até aqui tá funcionando, certo? Um dos primeiros ditos do otouto, 'não mexa em time que tá ganhando' ^^

Inté, nee-chan! Tô indo ali do lado, tem uns teens pra dar conta.

Bjon do otouto!

Ednilson said...

P.S: Não devia segurar as respostas, não. As pessoas que te curtem se acostumaram com suas respostas honestas; pq isso devia mudar?

E adorei a 'vida Doriana' ^^

Agora sim, fui!