Monday, May 06, 2013

Vítima Política: Classe Média Alta


Semana passada, tive que fazer uma tarefa para a faculdade na qual pesquisava o valor de construção e o valor final de mercado para uma residência em um dos bairros considerado nobre em Guarulhos. Segundo a tabela Fipe/Zap Imóveis, o preço do metro quadrado estava, no mês de abril, a 3.900,00 reais.
Para fazer a pesquisa, tive que pesquisar valor de residências no mesmo padrão do meu projeto (padrão A). A mesma metragem quadrada indicava que o valor de mercado estava superior a 4.500,00 nas imobiliárias.
O bairro em questão é composto por famílias de classe média alta. É comum vermos o trânsito acumulando nas pequenas ruas arborizadas de manhã, todos em sentido a Dutra ou Fernão Dias, o que indica que os moradores não são magnatas investidores ou herdeiros. O bairro é composto por pessoas que deram o sangue e o suor para conquistar o seu patrimônio, pessoas que ainda trabalham para manter o seu padrão de vida.
O que espanta é a quantidade de casas a venda nesse bairro. Os proprietários dão várias desculpas: querem ir para perto do metrô, querem se mudar para o bairro em que trabalham, querem fugir da loucura da capital se mudando para o interior.
Claro que não é essa a única razão. Andando pela avenida principal do bairro é possível observar a quantidade de lojas fechadas. Aluguéis absurdamente caros (encontrei um de 25 mil reais) sugam a receita dos comércios. Com a diminuição da renda, os donos de galpões ou edifícios comerciais estão inflando os aluguéis, tentando manter o seu padrão de vida.
Com clientes exigentes, com preços competitivos, com medidas que reduzem impostos, os preços dos produtos ficam baixos (e ainda com a possibilidade de parcelar em 12 vezes em juros) e ainda, com exigências de pagamentos de IPTU inflados, com renovações anuais de placas de anúncios, com pagamento de funcionários que insistem em denunciar até mesmo os patrões mais corretos dentro das normas trabalhistas, é possível entender porque há tantos imóveis vazios e a venda.
A classe média está quebrando. Diferente do que o PT afirma. Para eles, classe média alta é aquela família que sobrevive com  uma renda mensal de R$ 4.807 ou mais. Está surpreso? Pois é, para o PT, você é rico.
Brincando de Robin Hood, o PT está tirando dos ricos para dar aos pobres, ou seja, está tirando de quem ganha R$ 4.807 para dar para quem ganha menos de um salário mínimo. Se isso é estabilidade econômica, eu estou querendo sinceramente ir para uma Europa, mesmo quebrada.
Segundo a reportagem da Folha de São Paulo, publicada no dia 29/05/2012. “As pessoas com renda familiar per capita entre cerca de R$ 291 e R$ 1.019 são as que formam a classe média brasileira, segundo uma nova definição aprovada ontem por uma comissão da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República).  De acordo com a secretaria, essa classe representa 54% da população brasileira e é a maior do país. Dentro da classe média, foram definidos três grupos: a baixa classe média, com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441, a média, com renda familiar per capita de R$ R$ 441 a R$ 641 e a alta classe média, cuja renda familiar per capita fica entre R$ 641 e R$ 1.019. A classe alta estaria acima de R$ 1.019 e também foi dividida em dois grupos. A baixa classe alta ficaria entre R$ 1.019 e R$ 2.480 e a alta, que fica acima deste valor. Os extremamente pobres têm renda per capita familiar até R$ 81 e os pobres, de R$ 81 a R$ 162. Para definir os grupos de consumidores, foi usado o critério de vulnerabilidade, que considera a chance do brasileiro de determinada classe social voltar à condição de pobreza.” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1097561-classe-media-tem-renda-per-capita-de-r-291-a-r-1019-diz-governo.shtml)
                Pois é assim que se enganam as pesquisas, mudando os indicadores. Quer dizer as crianças estão escrevendo melhor? Corte as regras de acentuação. Quer dizer que o país está mais rico? Abaixe o índice da classe média. Agora é fácil dizer que o Brasil eliminou a pobreza.
                Os moradores do bairro de classe ‘alta’ de Guarulhos estão quebrando, falindo e perdendo o seu patrimônio. Não é por vontade própria que estão vendendo suas residências confortáveis. Eles estão sendo vítimas de impostos e duras penas impostas por um governo que condena o trabalhador que se dá bem, que sobe na vida.
                Dessa forma compensa mais ficar em casa coçando e vivendo de Bolsa Família. Alguém precisa denunciar essa política.

3 comments:

Anonymous said...

Oi Vivi,

Eu tinha respondido no Facebook, mas depois achei melhor remover, e responder só aqui no blog mesmo.

Eu moro na Holanda, e posso dizer o seguinte:

A grande maioria das pessoas por aqui recebe menos de 1800 euros por mês. Ou seja... menos do que os R$ 4.807 que você acha pouco.

Aliás, se você recebe mais de 3 salários mínimos aqui, você já está na classe média alta; e se tiver a sorte de receber 4 salários mínimos você entra na faixa dos 52% de imposto de renda.

Na prática, todo mundo ganha entre 1 e 4 salários mínimos.

Todo mundo gostaria que o Brasil fosse um pouco mais como a Holanda... mas abrir mão dos privilégios ninguém quer, não é mesmo?

Enquanto a nossa elite insistir em ganhar 10 ou 20 salários mínimos, continuaremos com a sociedade desigual e violenta.

Vivi said...

Oi Nelson,

Então, eu gostaria mesmo de ganhar isso, em um local como a Holanda o sistema de saúde pública funciona, você come bem, mora bem, tem segurança... eu não falo de quem ganha 20 salários mínimos, mas sim, daqueles que suam para ganhar 4 salários e são taxados de ricos, mesmo tendo despesas com plano de saúde, com seguro de casa, carro, com escola particular dos filhos, IPTU, Imposto de Renda e ainda tem que sobrar dinheiro para comer. Não acho justo essas pessoas serem chamadas de ricas sendo que não tem nenhuma estabilidade econômica.

Nelson said...

Bom...

Aqui na Holanda a saúde é inteiramente particular, e todo mundo é obrigado, por lei, a ter um plano de saúde. Quem não pode pagar um, recebe um especial do Governo -- sem muitas regalias, mas atende o básico.

Aliás -- quando eu penso em saúde, lembro da reação de um amigo português, quando viu um hospital particular no Brasil: "parece um hotel!!!"

A gente está acostumado a uma vida inimaginavelmente luxuosa, para um padrão europeu, graças à extrema desigualdade que permite que o dinheiro de 20 pessoas se concentre nas mãos de uma.

E quando eu digo isso, estou falando em termos bastante reais; basta pensar que até 2002 -- ou seja, antes do governo Lula -- o salário mínimo era de R$ 200. Se você ganhasse R$ 4 mil, já estaria concentrando o salário de 20 pessoas na sua mão.

Como os recursos de um país são limitados, só existe uma maneira de o Brasil quiser se transformar num país mais justo e igualitário: as pessoas mais ricas precisam abrir mão de seus privilégios.

Por isso eu fico feliz em saber que uma pessoa de classe média esteja recebendo "apenas" 7 vezes o salário mínimo.

Se essa tendência continuar pelos próximos 10 anos -- e eu espero que continue -- o salário mínimo vai chegar a R$ 2.400, aproximando-se ainda mais de um valor que podemos considerar digno.

Isso se a elite não conseguir o que deseja, que é dar uma marcha-a-ré, voltando a concentrar recursos nas mãos de uma minoria.